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segunda-feira, janeiro 04, 2016

Fukuyma Masaharu Milk Tea

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Milk Tea (Tradução) (tradução)

"Desculpe"
Por que tenho dificuldade de dizer?
"Obrigado"
No fundo sempre penso em agradecer
Sou calada demais, ou alta demais
Para seu gosto?
Será que tenho chance de ser amada?
*Quero te amar, quero te ver
Grito assim no fundo do meu coração
Sonho ser amada um dia
Todo o meu coração já é todo seu
Somente seu
"Que boba"
Rindo você me dá uns toques
"Vai firme"
Com seriedade você me dá força
Você sabe dos meus tristes amores
Do passado
Por isso me trata com carinho?
De qualquer forma, eu te amo e quero te ver
Rezo para que terminem as noites maldormidas
Conversar e pegar na sua mão
Se eu pudesse te ver no sonho esta noite
Acho que choraria de tanta felicidade
Mesma parada de ônibus
Na ladeira, debaixo de chuva
Sob o mesmo guarda-chuva
Você me deu um chá com leite
E me ensinou aquela canção
Foi tudo tão carinhoso
(*BIS)



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sábado, maio 26, 2012

Homofóbico não passa de um medroso.

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GAY 08
 LGBT 10
 PRECONCEITO 02

 Do Terra Magazine

Marcelo Carneiro da Cunha

Estimados leitores, pois leio aqui, sentado no banquinho do treinador enquanto ele foi até a esquina achar uma alternativa pro 3-2-2-2-1, que a Comissão de Direitos Humanos do Senado acaba de aprovar a união estável para casais homossexuais. 
Pra um zagueiro de ofício, essa discussão sobre quem pode casar é mais desprovida de sentido do que o debate interminável sobre quantos juízes é melhor ter em campo. Se queremos ter futebol, basta um. Se preferirmos uma assembléia sobre cada entrada duvidosa e bola que ultrapassa a linha do gol, então, vários. O que é que desejamos, afinal? Se queremos uma sociedade que funcione como um time afinado, e não como um Flamengo, precisamos admitir que existem coisas que valem pra todos, inclusive o R10. A lei por exemplo.
Se todo mundo é igual diante da lei, e a lei diz que as pessoas têm o direito de formar uma sociedade civil quando vivem juntas, compartilham dos mesmos recursos e estruturas, e têm, herdam, ou adotam filhos, essa lei, estimados leitores, vale para todos – gays, absolutamente inclusive. Porque as únicas pessoas que parecem dispostas e interessadas em formar casais são homens e mulheres heterossexuais, e homens e mulheres homossexuais. No entanto, alguns ficam insistindo que a lei só vale para os heterossexuais, porque sim. Porque Deus disse. Porque sempre foi. Porque se abrir pra todo mundo o direito de casar, o que será do mundo. Como se em um mundo cercado por asteróides louquinhos pra cair sobre ele, e tomado por motosserras, CO2, terremotos e Michel Teló, justamente o casamento possa ser a causa do fim do mundo. Risível, não é mesmo?
Noves fora os esquisitos casamentos poligâmicos, que nunca pegaram de verdade com exceção dos mórmons e algumas outras sociedades exóticas, parece que as pessoas formam casais. E isso não tem tanto assim a ver com sexo, mas sim com o que se entende por amor. E amor, caros leitores, não é hetero nem homossexual, e nem ao menos é sexual, mesmo que inclua o sexo entre os seus atrativos possíveis. Independente da lei, ou do local, ou da época, a forma mais presente de união humana é formada por duplas. Deve ter a ver com a nossa natureza e a nossa evolução. Mas essas duplas nunca foram exclusivamente heterossexuais, em sociedade alguma, em tempo algum, fora o Irã do Ahmadinejad. Alguma coisa acontece com os seres humanos que os torna atraídos pelos seres humanos do gênero oposto, ou pelo mesmo. Isso, caros leitores, acontece.
Aqui no vestiário se sabe muito bem que acontece. Existem os hetero, e existem os gays, e eles não se diferenciam de maneira alguma na hora em que entram em campo e partem pra cima da bola e do jogo. Você, caro leitor, não sabe quem do seu time é gay ou não, mas posso lhe assegurar que eles são muitos, e estão por aí, e sempre estiveram, e é natural que estejam. Não há qualquer diferença na hora da botinada, nem qualquer diferença em qualquer outra hora, embora possam existir algumas diferenças na hora da escolha da roupa preferida ou parceiro pra sair pra balada. Isso, caros leitores, é absolutamente do jogo.
Existem pessoas, hetero ou não, que preferem a vida solteira. Existem pessoas que preferem formar casais e investir em algo que tente durar, enquanto der, pra sempre, se der. Esse é um direito que elas têm. De estarem juntas em um quarto de hospital, de criar crianças como seus filhos, com todos os compromissos que isso envolve, de formar patrimônio que será herdado por alguém, ou dividido de maneira justa, nos casos em que essa sociedade, por um dos milhares de motivos possíveis, se dissolver.
Casamento, caros leitores, não é hetero, nem gay. Ele é simplesmente humano. Ele representa uma das formas preferidas pelos humanos para viver a vida. 
Agora, me expliquem, e por favor sejam mais claros do que o Abel Braga tentando explicar uma formação tática: porque ele deveria ser negado a uns humanos, e permitido a outros?
Os religiosos dizem que é a Bíblia, ou o Corão, que manda. Mas a República é laica, e o casamento é civil. Não temos nada, mas nada mesmo, que ver com o que os religiosos sintam a respeito, já que pensar não é o forte desse povo.
Notem que o termo homofobia não significa raiva ou ódio contra homossexuais. Significa medo deles. As religiões têm medo de tudo que é associado com o humano, tais como liberdade ou prazer. E se existe uma coisa no mundo que zagueiro não tolera, é medroso em campo.
Liberdade é o oposto de fé, e prazer é o oposto de paixão, porque paixão vem de passio, que quer dizer, sofrer. Tudo que uma boa religião adora é a total ausência de prazer, em um ambiente em que não existam escolhas.
Um zagueiro clássico sabe que a vida e o futebol só existem na presença de ambos, tanto liberdade quanto prazer. Sem isso, todo jogo vira algo tão excitante quanto um amistoso entre Suíça e Áustria, nos dez minutos iniciais. Seco, desanimado, triste, puro, e por isso mesmo, sem sentido.
Casamento é uma consequência do encontro de dois seres humanos que resolvem, por processos que só a eles pertencem, viverem juntos e construir sob um contrato de casamento. Ele é uma sociedade civil porque envolve direitos e deveres. Ele é regulado por lei, e ela é para todos os casais que quiserem casar. Os demais, que não quiserem, não casam. 
Quem não entende algo assim tão simples, por favor, saia da frente. Vocês estão tapando a vista e a a luz. E o tempo de vocês, como o do 4-2-4, passou.

Jornalista, escritor de livros e filmes. Acredita que bola boa é bola pra fora do estádio. Crente nos poderes da aspirina e do conhaque de alcatrão São João da Barra. Medo, só de barata.

terça-feira, maio 08, 2012

Diretor Eloi Ferreira mostra a Curitiba que não conhecemos em "Curitiba Zero Grau"

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 CINEMA 04
 CULTURA/ENTRETENIMENTO 15
 ENTREVISTA 10

 Por Daniel Miyagi

Exibido no Festival de Cinema Brasil no Japão na edição de 2011, o filme Curitiba Zero Grau tem como protagonista a própria cidade de Curitiba. Não a Curitiba que estamos acostumados e a mídia mostra como exemplo de cartão postal , mas mostra suas desigualdades sociais, onde personagens de diversas classes sociais em algum momento se cruzam, embora não haja uma interação maior.Na semana mais fria de um inverno curitibano, as trajetórias de quatro homens: um vendedor de automóveis, um motoboy, um catador de papel e um motorista de ônibus  sintetizam a luta pela sobrevivência na cidade E mostra também que em um dois momentos do inverno curitibano, no frio chega a fazer zero grau.
O diretor Eloi Pires Ferreira conversou com o signatário do blog via chat, falando do filme e da sua carreira:

BLOG: Gostaria que falasse o começo de sua carreira, até o seu longa O Sal da Terra que foi bastante elogiado 
ELOI PIRES FERREIRA: Eu me formei em Jornalismo aqui em Curitiba, mas sempre teive vontade de fazer cinema. Então, durante a facaldade, ao invés de estagiar em redação de jornal, eu estagiei na Cinemateca deCuritiba, a terceira do Brasil , entidade bastante reconhecida. Depois de fortmado, trabalhei um pouco como jornalista e algum tempo depois comecei a trabalhar com produção de vídeo educativo, o que foi um bom exercício no audiovisual.

BLOG: Você tem uma produtora não,?
ELOI PIRES FERREIRA: Antes dos longas, fiz três curtas em 35 mm., o "Vamos Junto comer Defunto", de 1990,  0 "Valdir e Rute , em 97 e o "Polaco da Nhanha", em 2001. "OSal da Terra", foi uma empreitada de quase 10 anos. Rodei em 2003, 2004 e finalizei em 2008.  Tenho uma produtora há mais de 20 anos, que agora se chama Camarada Filmes

BLOG: Fala um pouco do seu primeiro filme de ficção, o Sal da Terra
ELOI PIRES FERREIRA: Os primeiros filmes de ficção foram os curtas. O Sal, como eu estava dizendo foi o meu primeiro longa. Basicamente é um road movie, um filme estradeiro, que  conta as ndanças de um padre caminhneiro. em tom de crônica, ele traça um ppanorama do universo estradeiro no Brasil, que é um universo pouco retratado na nossa cinematografia, e ao mesmo tempo traça um paralelo entre a estrada e a caminhada humana em busca da transcendência.

BLOG: É mais difícil ser produtor ou diretor?
ELOI PIRES FERREIRA: Eu me considero mais diretor, que foi o que eu mais fiz. A função de produtor eu divido com meus colegas, sócios, produtores associados. Dirigir suga uma energia danada, mas me realiza muito. Já a funçao de produtor exige muita paciência e garra.
Você não viu ainda O Sal, viu?

O diretor Eloi Pires Ferreira dirigindo cenas do filme Curitiba Zero Grau
BLOG: Assisti o seu filme Curitiba Zero Grau no Festival de Cinema  Brasil no Japão na edição do ano passado. Gostei muito. Uma quie a história é fora do eixo Rio/São Paulo, e outra que mostra uma Curitiba que não estamos acostumados. Em quase duas horas mostra várias histórias, que em algum momento se interligam; nessas histórias, chega um momento dos personagens que ha um conflito de que se deve ou não ultrapassar o que achamos o que é "certo" ou "errado". Além de mostrar toda uma pirâmide social de Curitiba, desde uma família de classe média alta, até um catador de lixo. Como surgiu a idéia e quais foram as dificuldades de realização do filme?
ELOI PIRES FERREIRA: A idéia veio da obervação do cotidiano, basicamente. Uma inspiração regular pra mim são as notícias de jornal. Aí eu convidei o Altenir Silva, o Bolinha - atualmente roteirista da TV Record (novelas) e o Érico Beduschi,  que já tinha escrito alguns longas, como o Federal, por exemplo., e que agora mora na Itália, pra escrever comigo o roteiro. Enfim, montamos a história a seis mãos, entre Curitiba e Rio de Janeiro. O Curitiba Zero G. é, na linha do O Sal da Terra, um road Movie, só que urbano. Envolve muito deslocamento dos personagens, e obviamente da produção também. As dificuldades de se filmar em meio ao trânsito, com uma figuração imensa, fechando ruas e incomodando muita gente são incomensuráveis. Mas no final é até divertido. Eu gosto dessa bagunça toda que a produção de um filme causa na vida.
Muito importante citar vital participação no processo todo dos meus sócios na produção: a=os produtores Salete Machado e o Talício Sirino da Tigre Filmes de Cascavel e o J. Olímpio. grande e fundamental  companheiro que morreu no ano passado e nos deixou um vazio enorme e mais o Marcos Cordiolli, os dois na produção executiva. Eles deram o sangue pra coisa toda acontecer.


 BLOG: Ao mesmo tempo a temática do filme é universal não? Os problemas e conflitos com certeza são de São Paulo, e Tokyo. A diferença é que São Paulo todos sabem que há uma desigualdade social grande Curitiba e Tokyo é mostrado pela mídia como um exemplo urbano O filme mostra que há "várias Curitibas"
ELOI PIRES FERREIRA: Você matou a charada. Curitiba é multifacetada e apesar de ter essa fama de cidade muito organizada e planejada, não nos esqueçamos que ela pertence a um país de terceiro mundo (mesmo com todos os avanços que conseguimos nesses últimos anos, ainda não chegamos lá - eu falo do país). Curitiba, mesmo com seus acertos, ainda tem um nível de desigualdade que não é fácil diminuir. O que difere a cidade das outra metrópoles brasileiras é o frio que atinge o zero grau pelo menos uma ou duas vezes por ano. No entanto, a cidade não está preparada para o frio, não tem sistema coletivo de calefação,por ex. e isso é resquício  de uma típica falta de planejamento nossa, brasileira. Mas é uma cidade muito interessante sob diversos aspectos, e de forma especial, no aspecto cultural. Sim, a temática que o filme aborda é de interesse universal, de forma alguma é regional. E as desigualdades que o filme mostra pode ser uma metáfora geopolítica, o mundo está dividido assim.

O ator Jackson Antunes nas filmagens de Curitiba Zero Grau
 BLOG: A escalação do Jackson Antunes foi proposital, você já tinha pensado nele como o motorista de ônibus? Achei que foi uma grande sacada, porque além de mostrar todo o talento dele, tira um pouco do estereótipo de muitos personagens nordestinos que dão pra ele na tv
ELOI PIRES FERREIRA: O Jackson é um grande ator e uma bela figura humana. Um cara muito intenso e o personagem dele represente muito essa nova cara de Curitiba, com a população nativa se mesclando gente de outras regiões. O personagem dele é, como ele próprio, mineiro. e a mulher dele é carioca. A atria também é, mas vive em Curitiba há muitos anos. Esse também é um fenômeno universal, a migração, o deslocamento humano. Aqui também o cenário do filme funciona como micro cosmo.

BLOG: Como está vendo o momento atual do cinema brasileiro? Tem espaço para o cinema de autor? A dificuldade maior está na distribuição atualmente?
ELOI PIRES FERREIRA: O nosso calcanhar de aquiles sempre foi a distribuição. Principalmente pelo fato de que a ocupação das salas é feita majoritariamente pela chamada indústria, Hollywood. Está havendo um aumento considerável do número de salas, mas eu não sei se esse quadro muda. Vamos ver...

BLOG: Voltando ao filme,o que eu percebi, na visão do filme, é que quanto mais baixa a classe social, apesar da pobreza e dificuldade econômica, os personagens são mais unidos , solidários e felizes, já o primeiro núcleo, o da família de classe média alta, parecia que havia uma falsa felicidade.
ELOI PIRES FERREIRA: Parece chavão, mas acho que é assim, num certo sentido. As comunidades mais humildes se relacionam com menos frescura, porém o seu grau de vulnerabilidade (exposição excessiva ao tráfego e à violência) causa grandes estragos. Os classe média do filme, mesmo bem intencionados, veem a miséria pela janela do carro. O Jaime é, tenta ser, um cara legal, mas para ele as tentações também são muitas. Na verdade, eu tenho um carinho muito grande por todos os personagens e acho que,mesmo resumidamente, eles representam bem a condição humana.

BLOG: Como está atualmente o filme? Onde foi e está sendo exibido e como está sendo sua receptividade? Tem previsão da estréia comercial ?
ELOI PIRES FERREIRA: O filme circulou por alguns festivais e mostras, como a de vocês aí no Japão, mas continua comercialmente inédito. Aqui  só teve uma exibição pra Sec. de Cultura do Estado, principal financiadora do filme. Pretendemos lançá-lo em Julho, no inverno, se tudo correr bem. Ainda buscamos recursos pra distribuição. Não foi exibido em escolas ainda

BLOG: Você disse outro que está envolvido em outro projeto. Pode dizer qual é ou quais são seus próximos projetos?
ELOI PIRES FERREIRA:  Estou envolvido com vários projetos. Pelo menos três longas, com roteiros prontos e um possível seriado pra televisão, do qual já temos um piloto. Mas ainda é tudo projeto.

BLOG: Tem algum teaser do filme disponibilizado na web? Queria agradecer mais uma vez pelo tempo disponibilizado. Agradecer também a Salete que me ajudou a te contatar. Como moro no Japão, e tenho  também leitores brasileiros que estão no Japão, queria que deixasse alguma mensagem para eles.
ELOI PIRES FERREIRA:  Estamos terminando o trailer do filme e mais spots pra tv e rádio com uma produtora do Rio especializada nesse tipo de produto. Espero que até o mês que vem  agente possa estar com esse material rodando por aí.
Eu é que agradeço. Estive no Japão, em 2003, na região de Osaka e adorei. Quero voltar mais vezes. Pratiquei judô quando menino e de lá pra cá aprendi a ter um grande respeito pelos japoneses e sua cultura. Admiro profundamente a sua tenacidade e capacidade de reconstrução da vida. Bravos guerreiros!
 Daniel, muito obrigado e desculpe o mau jeito. Não sou muito habilidoso que essas ferramentas digitais.
 Grande abraço e espero que a gente possa conversar pessoalmente um dia, ne que seja aí no Japão.


Daniel Miyagi

terça-feira, abril 24, 2012

Além de grande cantora, Manu Santos é sinônimo de alegria

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 CULTURA/ENTRETENIMENTO 14
  ENTREVISTA 09
 MPB 04
  Em 2011 a mídia descobriu grandes e novos talentos da MPB. Manu Santos é uma delas.
    Apesar de já estar com mais de dez anos de carreira, foi só ano passado que conseguiu lançar seu primeiro CD: "Nossa Alegria", cd independente que a crítica elegeu como um dos melhores.
     Mesclando músicas e compositores consagrados  “Lua de São Jorge” (Caetano Veloso), “Lugar comum” (João Donato / Gilberto Gil), “Deixa eu dizer” (Ivan Lins / Ronaldo Monteiro) e a nova geração da MPB como Rodrigo Santiago, Fred Martins e Marcelo Camelo.
       Manu começa o CD com o samba "Calma", de Giana Viscardi e Michi Ruzitschka, sobre a compreensão do tempo a partir do ciclo da terra. Lembrando as vezes (ou muitas vezes) Clara Nunes e não se incomoda com isso, seu alto astral está presente em todo o disco, daí talvez o modo que muitas a chamam, de cantora brejeira.
     Emotiva e bastante solidária ("Aprendi com minha família. Por que não ajudar as pessoas") , cansada de ver tanta tristeza na tv, o disco nasceu da necessidade de dar um puco de paz e alegria para as pessoas.E conseguiu
    E para sua alegria, a cantora foi uma das pré-selecionadas para o Prêmio Música Brasileira.
    Abaixo, uma entrevista que ela me deu::





Tem quantos anos, nasceu aonde? Tenho 27 anos e nasci em Del Castilho e moro até hoje em Bangu. :)



Nas redes sociais você diz que é uma pessoa conservadora. Em que sentido? Como se define?
Sou uma pessoa muito na minha... Muito família! Adoro ficar em casa. Não sou muito de sair a noite. Adoro ficar no meu lar!


É  uma pessoa emotiva? Outro dia vc se emocionou com os acontecimentos ocorridos no Rio de Janeiro , quando desabou o prédio...
Demais da conta... Não tem como não ficar mexida com essa catástrofe, e naquele dia havia passado por lá mais cedo. Então, fiquei extremamente chocada...


Seu pai foi uma pessoa que te ajudou bastante, foi através dele que você fez seu primeiro estudio e gravou seu primeiro CD não?
Sim, ele foi o homem que eu mais amei! Um grande amigo! O meu herói! Quando juntava ele e minha mãe, eu tinha certeza que teria novidades em casa... rsrsrs E foi aí que surgiu o estúdio aqui em casa. Vários empréstimos... Enfim, uma loucura de amor pelo nosso sonho.
E foi aí, que eu gravei o meu primeiro cd de demonstração. E conseguimos tantas coisas com esse CD. Fui para o programa
@titude.com na antiga TVE, participei do programa do João Roberto kelly e cantei várias vezes com ele. Mandei esse material para o Festival do Carioca da Gema e fui convidada a participar e graças a Deus venci o festival junto com Aline Calixto. Nunca vou esquecer desse momento importante. E tudo, graças a esse homem que Deus colocou no mundo, o meu pai.



Qual que é a sua música de trabalho, Chão de Jardim? Faça um pouco dessa música
Na verdade, a nossa música de trabalho é “Canto pro Mar,” do compositor Rodrigo Santiago. Que fala do amor de estar perto do mar, de poder tocar, de sonhar...










A música “Chão de Jardim”, ficou um tanto marcada pois, gravei um clip caseiro. Estava um dia em casa, tentando inovar e tive a idéia de gravar o vídeo no celular. Quando vi que dava pra passar pra HD, quase chorei de emoção - vai ser agora! Comecei a gravar! As pessoas adoraram.  Inclusive, chegou a sair em um site italiano. Fiquei toda boba!



Assistindo os vídeos que canta Mulher Jangadeira você me remete Clara Nunes (e olha que nem sou grande conhecedor de Clara Nunes), já te falaram isso? Te incomoda ?
Já me falaram sim e nossa, me sinto honrada. Não me incomoda... Todos nós buscamos referências e ela faz parte disso. Busquei na Maria Bethânia, Mercedes Sosa, Clara Nunes e Milton Nascimento. 



Como foi sua infância, adolescência, já desejava ser cantora?  Quando começou o chamado da cantora?
Sempre cantei e dancei quando pequena mas, não pensava em ser cantora. Queria ser oceanógrafa... rsrsrs Quando fiz o meu primeiro show, me encantei. Fiquei encantada de ver as pessoas felizes isso me chamou muito a atenção. E quando vi essa possibilidade de ser cantora, de ser porta voz da música, nossa, vibrei! E até hoje me emociono!



Nas suas horas de lazer o que gosta de fazer? Assiste tv, se sim o que assiste?
Ouço música, muita música... Sou meio dona de casa... rsrsrs Brinco com os meus bichinhos e assisto filmes.


Você também tem um lado solidário de ajudar o próximo; Fala um puco disso
Eu acho que estamos aqui para se ajudar! Eu gosto disso... eu gosto de fazer isso! Aprendi isso com minha família! Pq não ajudar as pessoas? O mundo precisa de amor, de carinho e de paz!



No seu disco tem músicas de cantores consagrados como Caetano Veloso (Lua de São Jorge), , e compositores da nova geração como Marcelo Camelo . Quais são suas influências musicais, seus ídolos?
Minhas influências musicais, que eu estudo bastante e amo ouvir: Mercedes Sosa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Elizeth Cardoso.


O  "Nossa alegria" é um disco cheio de ginga.  Quais os estilos musicais que gosta? No CD dá pra perceber que gosta de samba e baião
Eu gosto da Música Popular Brasileira, não tem um estilo. O meu cd é  exatamente assim, mistura de ritmos: tem balada, samba-canção, balada, samba de roda e baião

.

Seu CD se chama "Nossa alegria"  e sua presença no palco você exala alegria. Por exemplo, Maria Maria pra mim, quando eu ouvia na voz da Elis Regina eu me emocionava e chorava as vezes porque passava o sofrimento das Marias . E com você não, ouço e te assisto cantando essa música mas com um tom positivo, pra cima. Esse CD também seria uma resposta para a vida atual, que tem muitas tristezas e sofrimentos?
Sim, eu estava precisando de suavidade na minha vida. Um pouco cansada de ver tristezas na TV. Fiz esse CD com o intuito de trazer paz e eu acho que estou conseguindo passar essa mensagem. Precisamos espalhar o amor! O mundo anda frio demais.




Ao mesmo tempo sua imagem passa uma simplicidade, e já li que gosta de ser chamada de brejeira. Essa simplicidade se percebe ouvindo músicas como Calma ou Canto pro  Mar,
Tá viajando com o disco? Como está sendo a receptividade "Nossa Alegria"?
Graças a Deus o “Nossa Alegria”, tem recebido muitas criticas positivas tanto na mídia e com os fãs e isso é muito bom! Esse ano, teremos bastante shows. Estou me preparando pra fazer lançamento do CD em BH. E já estamos estudando a possibilidade de fazer um show em SP. E vamos que vamos!




Seu CD é um disco independente que recebeu boas críticas. Espera gravar o próximo numa grande gravadora?
Olha, se conseguirmos uma grande gravadora, melhor! Mas, se não conseguir, tudo bem também. O importante é fazer e acreditar!


Com o primeiro disco sendo aclamado pela crítica , existe uma pressão ,  reformulando, aumenta a responsabilidade no próximo disco?
Com certeza, com certeza aumenta... Eu já fico tensa. rsrsrs
Amo esse ofício! Momento de muito estudo e concentração!



Num país em que as gravadoras se queixam da pirataria dificulta mais pelo fato de seu CD ser independente?

Sou contra a pirataria. A gravadora poderia cobrar mais barato os CDs, talvez isso possa ajudar a não manter a pirataria. Agora, o que dificulta o meu cd, por ele ser independente é o fato de não ter um distribuição tão boa. Vendi a maior parte dele no meu site.



Suas músicas estão a venda também na web, em alguma loja virtual?
Sim, está presente no site Onerpm.com e ITunes


Queria que você deixasse alguma mensagem pro brasileiro que está fora do país, seja nos Estados Unidos, Europa ou  Japão
Uma frase que caminha sempre comigo é: “O futuro pertence aqueles que acreditam na beleza de seus sonhos”  frase de Eleonor Roosevelt Sonhe e lute por ele! E não perca jamais a esperança!

Quero agradecer a paciência e o tempo , se puder deixar seus meios de contato, site, redes sociais, e como fazer para adquirir seu disco. Se alguém do exterior (no caso dos brasileiros aqui do Japão) querer comprar o disco como faz?
Obrigada você por todo carinho! Espero que tenha gostado da entrevista :)

Vamos aos contatos... rsrss
Patrícia Soli (RJ)
(21) 8549-1528
(21) 9554-7752
patriciasoli@zenitcomunicacao.com

Facebook: Manu Santos
Twitter: @manusantos
E você pode encontrar o cd no meu site. :)

quarta-feira, abril 18, 2012

Ex-dekassegui retornando e encontrando um novo Brasil

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 BRASIL 08
 BRASILEIROS NO JAPÃO 03
 ENTREVISTA 08
 JAPÃO 14
POLÍTICA/ECONOMIA 05

  Os brasileiros que saem do país e tentam a vida em outro país, na sua maioria, sempre vão com a intenção de ficar por um tempo provisório (mínimo de três anos) e fazer o seu pé de meia e retornar a terra natal. Isso na teoria, na prática, na maioria dos casos, isso não ocorre. Não importa em que  país que ele vai, pode ser Japão, Estados Unidos, Inglaterra, Portugal , Grécia. Um dos posts que publiquei mostrou que apesar da grave crise que a Grécia vive, muitos brasileiros "evitam abandonar o barco" .
     Isso acontece porque muitos do que saíram do Brasil, foram da época pré Lula  na presidência, a economia estava um caos, a inflação subindo. E ao contrário dos planos desses brasileiros de ficarem no máximo três anos, o tempo e as circunstâncias fizeram ao invés de três, foram cinco, sete, dez, quinze anos ou até mais trabalhando em um país estrangeiro.
    Por mais difícil que fosse a adaptação de uma outra cultura, enfrentar os preconceitos contra imigrantes, a barreira da língua, pois na sua maioria eles chegam sem saber a língua local, muitos acabam ficando , estabelecendo raízes, formam famílias na terra estrangeira. E conforme os anos vão passando, a imagem que tem do Brasil não é a imagem real. Por mais que tenham acesso via internet, ou tenham assinatura de tv brasileira como a Globo ou Record Internacional, estar a par das notícias distante do país é diferente do que estar presente, vivenciando os fatos.
     Boa parte acaba tendo uma idéia preconcebida , geralmente pejorativa do Brasil.
     É assim com boa parte dos brasileiros que moram no Japão.
     Até 2008 no Japão, havia mais de 318.000 brasileiros legais trabalhando e vivendo em várias províncias. Com a crise de 2008 e mais o agravante terremoto e tsunami ocorrido em março do ano passado, hoje esse número diminuiu para cerca de mais de 212.000 brasileiros na terra nipônica.
     Esses brasileiros tiveram a difícil decisão de regressar a terra natal, com medo de não se adaptar e não conseguir se realocar no mercado de trabalho, como já ocorreu muitas vezes. Pois não foram poucos os brasileiros na década de 90 e mesmo nos anos 2000 que voltaram ao Brasil, não conseguiram entrar no mercado de trabalho porque simplesmente não havia campo.
     Mas dessa vez, muitos deles se surpreenderam positivamente. Aquele Brasil recessivo já não existe mais e esses brasileiros que tiveram que retornar a terra natal encontraram um outro país, melhor. Lógico, com muito a ser feito, melhorado, a maioria diz que a corrupção ainda ronda, mas o fato é que o país melhorou, e se antes não conseguiam se alocar no mercado de trabalho, agora conseguem. Outro, que ainda não encontram emprego, estão fazendo cursos profissionalizantes.
     Conversei com um desses brasileiros que teve a grata surpresa de retornar e encontrar um país melhor.
     Clóvis Akira Igarashi é um deles. Contador, esteve no Japão três vezes, a primeira foi no início do plano Collor, que devastou o país, e assim como muitos, de uma hora para outra  perdeu o emprego e resolveu tentar batalhar na terra do sol nascente.
    Hoje, Clóvis vive em Mogi das Cruzes, São Paulo,  conseguiu se realocar no mercado de trabalho, e paralelamente faz um trabalho sobre desenvolvimento sustentável, fruto de seu aprendizado no Japão.
     Abaixo, uma entrevista que o Clóvis Igarashi me deu, falando de seu começo de vida no Japão, até os dias atuais.




Quando foi que veio no Japão, foi mais de uma vez?
A primeira vez foi em 1991, fiquei 2 anos, depois retornei em 1993 mais 2 anos, e depois de 1998 a 2008 10 anos.
Qual foi o motivo da vinda para o Japão ?
O motivo foi financeiro, perdi o emprego no Plano Collor, e resolvi tentar a vida no Japão.Quando veio ao Japão na primeira vez,  já sabia a língua?  Como foi sua impressão na sua primeira vez aqui?
-
Sim, já tinha um conhecimento básico do idioma, pois minha avó que morava conosco falava só japonês. Mas mesmo assim senti muita dificuldade no inicio, pois o idioma japonês mudou muito da época da minha avó, tornando-se muito americanizado.



Na época o senhor tinha vinte e poucos anos não? Veio sozinho? Como foi o período de adaptação, quais foram as dificuldades da época?
Vim com minha esposa, depois de 8 meses casados, arrumamos as malas e voamos para o Japão. Nós dois estávamos com 25 anos. A adaptação foi mais fácil do que eu esperava, e tivemos a ajuda de meus pais que já estavam no Japão a 1 ano e nos ajudaram. A maior dificuldade foi o idioma e o clima, mas depois de uns 4 ou 5 meses já estava perfeitamente adaptado.




O senhor vivenciou várias fases do movimento dekassegui. Desde o início, onde era tudo mais difícil para o brasileiro que chega aqui, e ainda estava se começando a se estruturar uma comunidade brasileiro (com toda sua infraestrutura) até o início da grande crise econômica mundial . Fala como foi vivenciar todo esse processo, as diferenças do início do movimento dekassegui e como foi até 2008.
O inicio foi complicado, sentia muita falta de informação, para ficar sabendo das noticias do Brasil, só por telefone que era caríssimo e por carta, depois de um ano foi lançado o Jornal International Press, que amenizou um pouco a falta de informação. Depois da 2ª vez que retornei as coisas já estavam bem melhores, várias lojas de produtos brasileiros, alguns órgãos públicos dispunham de intérpretes, e os brasileiros já se sentiam bem mais adaptados. E com o passar dos anos tudo foi ficando mais fácil, a grande maioria possui carro, computador, um bom apto, alugado por conta própria, e outros até casa própria. Resumindo hoje em dia quem vai para o Japão, se adapta com muita facilidade.



Qual sua visão do brasileiro no Japão, o modo como ele se comporta , vivendo grande parte só na comunidade. Nas cidades de grande concentração de brasileiros o noticiário envolvendo brasileiros em crimes é frequente.
Um grande erro, na minha opinião, é que a maioria dos  brasileiros não demonstra nenhum interesse em conviver com a sociedade japonesa, preferindo viver em "guetos" de brasileiros, não se interessando em interagir com os japoneses, aprender o idioma, os costumes e as tradições. Agindo desta maneira, está desperdiçando seu tempo e a oportunidade de aprender sobre outra cultura, um modo de pensar e agir.



Como vê as crianças filhos de brasileiros nascidos no Japão? Muitos assimilando a cultura do país acabam rejeitando a origem dos pais, criando um conflito cultural 
Vejo de 2 ângulos diferentes: um que entram para a escola brasileira e não aproveitam a oportunidade de aprender o idioma e os costumes japoneses, e outro que vão para a escola japonesa, convivem com outras crianças japonesas, e com o descaso dos pais que não procuram manter um diálogo, acabam esquecendo o português ou não aprendendo a língua dos pais, tornando-se praticamente japonesas. A culpa é toda dos pais, que preocupam-se exclusivamente em trabalhar e não conversam em português com os filhos, deixando de passar a eles a importância das duas culturas.



Também tem o outro lado, o senhor voltou três vezes ao Brasil, épocas diferentes. O início dos anos 90, com o governo Collor, depois o governo Fernando Henrique com a era do Plano Real, e voltou recentemente em 2008, no segundo mandato do ex-presidente Lula. Como vê as transformações dessas duas décadas no Brasil?
Apesar dos bons salários e de poder usufruir de toda estrutura e tecnologia de um país de 1º mundo, sempre tive um pensamento fixo em viver no Brasil, por isso assim que consegui economizar um bom valor, voltei ao Brasil para tentar voltar a vida normal. Na 1ª vez até consegui um emprego na mesma função que desempenhava antes de ir ao Japão, mas com o plano Collor os salários tiveram um achatamento, e estava muito abaixo da realidade, não dava para viver com aquele salario. Da 2ª vez economizei um valor maior, só que estávamos no inicio do plano Real, e na hora da conversão do dólar para o Real, perdi muito dinheiro, pois o preço do dólar estava muito baixo. Tentei arrumar emprego, mas não consegui, durante dois anos, me qualifiquei, fazendo curso de aprimoramento, idiomas, informática e nada. E finalmente no governo Lula, as coisas para mim ficaram mais fáceis, consegui arrumar emprego rapidamente, me qualifiquei novamente, atuando numa empresa de porte médio que me oferece toda estrutura para o desempenho de minha função.



Como o senhor vê  atualmente o Japão, que atualmente se vê numa terrível crise econômica e com a gradativa diminuição dos números de brasileiros residentes aqui, e o Brasil, que deu um grande salto econômico e social, e hoje tem uma presença importante no cenário internacional?
O Japão vem passando por uma crise econômica, já por vários anos, e com os desastres naturais do ano passado, acredito que ainda vá demorar um pouco para se recuperar, conforme previsões dos especialistas em economia. Coma a força, garra e determinação do povo japonês, o país irá se recuperar, isso é fato, mas tudo com paciência, e isso leva algum tempo. O Brasil, atualmente passa por um grande momento na economia, com grandes investimentos internacionais, mas por ser um país com grandes dimensões territoriais, sofre com as desigualdades sociais, ainda tem muitas pessoas vivendo na extrema miséria, muita corrupção. O Brasil melhorou muito, mas ainda estamos muito longe de um modelo de país desenvolvido.



Apesar da crise no Japão, e da incontestável melhora no Brasil o que sinto aqui entre boa parte dos brasileiros do Japão, é que apesar de tudo, preferem viver no aqui no arquipélago, e a visão que tem do Brasil ainda parece dos anos de crise, sem falar de um aspecto incontestável, que no Japão a segurança é bem melhor, e o noticiário brasileiro vive cheio de violência. Qual sua opinião a respeito disso?
Com o passar dos anos, as pessoas criam raízes e vínculos com o Japão, crianças que não conhecem o Brasil, que vivem o cotidiano do povo japonês, sem falar na segurança, conforto e comodidade de se viver em um país de 1º mundo. Para essas pessoas, retornar ao Brasil é muito difícil, elas vão acabar como nossos avós que vieram para o Brasil e nunca mais voltaram. Respeito a decisão deles, só aconselho a aproveitar o tempo livre, com aprendizado e cultura, coisas que sempre vai fazer falta algum dia.



Ao mesmo tempo, para os muitos brasileiros  que deixaram o Japão e retornaram ao país natal (uns devido a crise econômica japonesa, outros pelo grande susto depois do terremoto de 11 de março, e outros por opção própria) se surpreenderam positivamente com o Brasil e boa parte conseguiu uma recolocação no mercado de trabalho, coisa que não acontecia até o início dos anos 2000 porque o país não conseguia sair da crise econômica. Como foi para o senhor essa última volta ?
Para mim foi uma surpresa, esperava muito mais dificuldade, mas graças a uns amigos que reencontrei, me indicaram e deram um empurrãozinho para me recolocar no mercado de trabalho. Passei pro uma reciclagem e aperfeiçoamento profissional e hoje estou no 2º emprego após o retorno, mas em nenhum momento me sentindo acomodado, continuo sempre em busca de melhores oportunidades.

Atualmente trabalha em que?Trabalho em uma empresa de consultoria empresarial no departamento contábil, e também como articulista do Jornal Sete em Mogi das Cruzes, no site sobre sustentabilidade Coletivo Verde e no Portal Cidade de Itapira.



Nas redes sociais que o senhor participa e no seu blog, além de relatar sua experiência no Japão, percebo a preocupação com o desenvolvimento sustentável. Gostaria que falasse um pouco sobre o tema
Nos anos em morei no Japão, fiquei encantado com a preocupação com que os japoneses tem com a separação e o descarte do lixo, a limpeza das ruas, etc. Através dessas experiências procuro mostrar o que aprendi e tentar implantar essas ideias aqui no Brasil.



Como está sendo o seu atual momento no Brasil ?
Profissionalmente muito bom, trabalhando muito, satisfeito por meu trabalho no blog estar seno reconhecido.



Por fim queria que deixasse uma mensagem para os brasileiros que vivem no exterior, especialmente os do Japão, e para o leitor geral do blog
A minha mensagem é para que todos mantenham-se firmes nos seus objetivos traçados, estabeleça metas, organize seu tempo e procure o aprendizado, estude japonês, isso te ajudará a abrir várias portas, reserve um tempo para simplesmente observar o que se passa ao seu redor, você irá aprender muito com o comportamento de uma outra nação e trazer para sí o que tem de melhor.



Queria agradecer pela entrevista e que deixasse os seus meios de contato , site ou rede social que participa.
Obrigado pela oportunidade para expressar minhas opiniões, se quiser saber mais sobre meu trabalho, acesse:
Nas redes sociais:

Trabalhadoras transexuais em destaque

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 LGBT 10
PRECONCEITO 01

 Do Observatório da Imprensa

Por Jaqueline Gomes de Jesus em 13/03/2012 na edição 685
Entre discussões infantis sobre o que é ser mulher e depoimentos naturalizantes, que defendem a formatação dos corpos, disfarçados de elogio, grande parte da mídia aproveitou o Dia Internacional da(s) Mulher(es) para tratar dos desafios das mulheres que vivenciam a transexualidade, mesmo que de forma limitada.
Ao longo dos últimos anos, o tema tem sido mais abordado, mesmo que com base em muita desinformação e com enfoque em aspectos “curiosos”, voltados apenas a procedimentos cirúrgicos ou dificuldades relativas ao registro civil, como se fossem o único elemento importante na vida de pessoas transexuais de ambos os gêneros, desconsiderando a sua diversidade de vivências como seres humanos – em casa, na rua, no trabalho.
As mulheres sempre participaram do mundo do trabalho: subalternizadas, mas estavam lá. A partir das novas ideias e comportamentos trazidos com o movimento feminista e a liberação sexual, a percepção sobre quem são as mulheres se ampliou, deixou de apenas se remeter à mulher branca, abastada, casada, com filhos, e passou a acatar a humanidade e a feminilidade de mulheres outrora invisíveis: negras, indígenas, pobres, com necessidades especiais, idosas, lésbicas, bissexuais, solteiras etc. e, recentemente, transexuais.
Revolução silenciosa
Entretanto, ainda hoje, no século 21, as mulheres transexuais sofrem para terem garantido o direito à identidade, a serem reconhecidas social e legalmente pelo gênero com que se identificam e querem ser identificadas. Jovens desistem de estudar em escolas onde são agredidas diariamente, quando não são expulsas. Desprezadas por suas famílias, são novamente violentadas e igualmente expulsas. Apesar de tanta dor e exclusão, elas perseveram por causa da felicidade íntima que sentem por serem quem são, amam e são amadas por alguns, formam famílias.
A vida corporativa reflete a discriminação a que são submetidas na sociedade. Mesmo que se tornem adultas qualificadas, veem restringidas suas oportunidades de trabalho: permitem-lhes ser cabeleireiras, costureiras, artistas ou prostitutas. Nada mais. A sociedade que despreza essas mulheres é a mesma que as explora, de maneira hipócrita, financiando um mercado movimentado de pornografia e desumanização.
A empregabilidade das pessoas transexuais é um aspecto crucial para sua cidadania, porém esquecido pelo poder público. Entretanto, algumas dessas mulheres, em função de lutas individuais e reivindicações dos movimentos sociais, conseguem se destacar, ocupam outros espaços, sobrevivem para se tornarem símbolos, nesta e naquela organização, de uma mudança profunda neste país: o entendimento de que a identidade de gênero não é determinada por cromossomos, órgãos genitais, documentação ou cirurgias, ela é determinada pela forma como as pessoas se identificam, como se sentem e como preferem ser tratadas neste mundo. É uma revolução silenciosa.
A mídia tem muito a contribuir
Apesar de haver pessoas transexuais nos diferentes espaços sociais, políticos, técnicos ou acadêmicos, a visibilidade dessas pessoas nos meios de comunicação, é concentrada no aspecto marginal ou criminal vivido por uma parcela dessas, em função da discriminação que vivenciam, e pouco no seu cotidiano, como se não interessasse conhecer as demandas profundas de tais homens e mulheres.
Há muito por se fazer. A maioria dos ambientes de trabalho continua a obrigar mulheres transexuais a se vestirem, a se identificarem publicamente e a utilizarem banheiros que não correspondem a quem elas são. Desrespeito que se tenta justificar com normas e costumes autoritários. Felizmente, aumenta o número de locais de trabalho que entendem os direitos das pessoas e se tornam espaços de libertação para as pessoas transexuais.
Não é difícil e não envolve muitos custos porque no fim das contas as mulheres transexuais só pedem para serem vistas como seres humanos e tratadas como elas são: mulheres. E a mídia tem muito a contribuir nesse sentido: basta apresentá-las com respeito, como qualquer pessoa merece.
***
[Jaqueline Gomes de Jesus é psicóloga e doutora em Psicologia Social e do Trabalho pela Universidade de Brasília]

quarta-feira, março 21, 2012

Detenta que passou no Enem poderá frequentar as aulas

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BRASIL 08
 Detenta que passou no Enem poderá frequentar as aulas
Angélica Feitosa
Do UOL, em Fortaleza 24/02/2012
A Justiça do Ceará autorizou que a detenta Cynthya Corvello, 40, frequente as aulas do curso de História, na UFC (Universidade Federal do Ceará). A decisão saiu nesta sexta (24) e é a primeira concessão na história do Estado para presidiários que cumprem condenação em regime fechado. Cynthya fez o último Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e conseguiu se classificar para a vaga na primeira chamada do Sisu (Sistema de Seleção Unificado).
A decisão é da juíza da 2ª Vara de Execuções Criminais, Luciana Teixeira de Sousa. As aulas já iniciam na manhã da próxima segunda-feira (27). Segundo a secretária da Justiça do Ceará, Mariana Lobo, nos primeiros 30 dias, Cynthya será acompanhada de escolta de dois agentes do Grupo de Apoio Penitenciário. Depois desse prazo, a detenta vai usar um monitoramento eletrônico, por meio de uma tornozeleira, e receberá um vale transporte.


Foto 1 de 15 - Cynthya Corvello, 40 fez o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2011 tirou 900 na redação, numa escala que vai até 1.000. Na opinião dela, foi essa boa pontuação que lhe garantiu a aprovação em história na UFC (Universidade Federal do Ceará) Mais Jarbas Oliveira/UOL
“É o primeiro caso de uma presa em regime fechado a receber essa concessão. O trajeto dela e os horários serão definidos no primeiro mês e será monitoramento pelo equipamento”, aponta. Caso descumpra as determinações, a presa será impedida de continuar a ir para as aulas. Segundo Lobo, como é o primeiro caso desse tipo no Ceará, outras medidas ainda devem ser definidas, como o acesso a Cynthya do material escolar destinado as aulas no presídio.
“A Cynthya trabalha na biblioteca, ganha o dinheiro dela. Mas ainda vamos decidir quem deve comprar os livros que ela necessita, já que as presas não têm acesso ao dinheiro, apenas aos produtos que pedem para comprar”, constata a secretária.

Pedido

A Defensoria Pública do Ceará havia entrado com o pedido para a liberação de Cynthya no dia 30 de janeiro. Na decisão, a juíza levou em consideração o princípio da individualização da pena. Ele que garante que seja dado ao preso as oportunidades e os elementos necessários para a reinserção social.
Mariana Lobo lembra que, em 2010, apenas um detento do Ceará foi aprovado no Enem e conseguiu o certificado de conclusão do Ensino Médio. Já em 2011, a partir do trabalho de estímulo ao estudo nos presídios, foram 17 aprovados e dois classificados na primeira chamada do Sisu. O outro aprovado, que estava em regime semiaberto, foi Édipo Renan Martins Barros, que consegui se classificar para o curso de Ciências Humanas, na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira. “Esse é um passo importante porque, mais que tirar do convívio, o sistema prisional tem o dever de tornar a pessoa apta ao convívio social. Se fala muito de construção de presídios, e se esquece da parte mais importante, que é a recuperação”, elenca a secretária. Lobo acredita que o caso de Cynthya é de superação e tem um efeito positivo junto à população carcerária.
Cynthya foi condenada a 25 anos de reclusão por coautoria em duplo homicídio seguido de roubo, ocorrido há quase 20 anos, em 1993. Ela esteve foragida até 1998 e presa até 1999, quando conseguiu evoluir para o regime um semiaberto até o julgamento, em 2006.

segunda-feira, março 19, 2012

Folha, TV Cultura e as más notícias

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 MÍDIA 04
 TV 08

 Folha, TV Cultura e as más notícias

Do Observatório da Imprensa

Por Alberto Dines em 14/03/2012 na edição 685
 
A inglesa BBC ou a americana PBS armariam parcerias de longo prazo com emissoras privadas dos respectivos países? Dificilmente. Mas sentem-se à vontade para associar-se entre si. A Fundação Ford, por sua vez, bancou o projeto de Fred W. Friendly (1915-1998) para a criação do Public Broadcasting System e anos mais tarde financiou a entrada da British Broadcasting Corporation nos Estados Unidos.
O sistema televisivo em países democráticos é um tabuleiro com vetores diferenciados, claramente identificados e distribuídos equitativamente com o objetivo de equilibrar conteúdos. A iniciativa privada disputa a concessão de canais para explorá-los comercialmente dentro de normas e regulamentos aprovados pela sociedade – e, para contrabalançar seu potencial econômico e político, o poder público cria canais públicos de TV (caso dos EUA e Reino Unido) ou estatais de interesse público (caso do Brasil). Uma terceira alternativa é o projeto de TV comunitária que ainda não conseguiu viabilizar-se como alternativa plena.
Cada vetor tem funções e papéis específicos funcionando dentro dos princípios democráticos de poder e contrapoder. Esse conflito funcional e orgânico funciona como a plataforma de uma sociedade estável, equilibrada e dinâmica.
Fato consumado
A parceria do Grupo Folha com a TV Cultura de São Paulo é, paradoxalmente, boa para o telespectador e ruim para a TV brasileira. Simplesmente porque anula as imperiosas diferenciações entre os parceiros. A TV pública é uma alternativa à TV comercial. Seu papel é eminentemente crítico, sua função é, digamos, “republicana” para promover um equilíbrio entre o interesse público e os demais interesses que envolvem a TV comercial. E esta também tem importante função crítica opondo-se aos interesses políticos, culturais ou religiosos das TVs públicas e/ou estatais.
O programa TV Folha que a TV Cultura passou a apresentar aos domingos anula a diferenciação e o contraditório. É mais um produto saído da nossa usina de “cordialidades” e complacências. Transforma uma emissora pública em um prolongamento da mídia privada, emascula afetivamente a sua independência, poda o seu DNA alternativo, contestador e cidadão. Simultaneamente, elimina da pauta de um jornal intransigente como a Folha de S.Paulo apreciável coleção de palpitantes assuntos na esfera cultural e política.
A anunciada adesão da Editora Abril a este perigoso esquema federativo (com um programa às terças-feiras) só confirma esta análise. O programa da Folha é pago pela montadora Renault, os comerciais exibidos não são de caráter institucional – como se espera da propaganda em redes públicas –, vendem carros ostensivamente.
Folha e TV Cultura certamente dividirão o faturamento, isso significa que não se trata de mero intercâmbio entre produtores de conteúdo e plataformas divulgadoras. A TV Cultura transfere-se com armas e bagagens para o campo comercial. É uma péssima notícia para todas as partes. Inclusive para as emissoras comerciais, que passam a contar com concorrentes inesperados.
O Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta aprovou a metamorfose ou terá que engoli-la como fato consumado? Houve tentativas de aproximação da TV Cultura com a outra rede pública, a TV Brasil? [segue

sábado, março 17, 2012

"Primeiro homem grávido" curte a família, mas sofre isolamento

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CIÊNCIA/SAÚDE 02

'Primeiro homem grávido' curte a família, mas sofre isolamento

De O Globo 

Por Fernando Moreira

Susan Beatie tem 3 anos e adora animais. A menina quer ser veterinária. Uma história comum, exceto por um detalhe: ela é filha do "primeiro homem grávido", Thomas Beatie.

Thomas nasceu mulher, mas fez cirurgias para a mudança de sexo, embora não perdesse a capacidade de engravidar. A mulher de Thomas não podia ter filhos. Então, ele assumiu a missão de engravidar. Depois de três filhos, decidiu "fechar a fábrica".

Mas o que Thomas contará a Susan sobre a sua gestação?

"Contarei a ela o que fiz: eu a carreguei na minha barriga da mesma forma que o Senhor Cavalo-Marinho. Ela não acha que há nada estranho nisso", contou Thomas, referindo-se a uma história infantil que costuma contar para Susan.

"Há uma foto em que estou grávido. Ela aponta para ela o tempo todo, dizendo: 'Papai, papai, eu estou dentro e ficando grande, grande. E então tenho que sair'", acrescentou, em reportagem do "Daily Mail".

Nascido Tracy Lagondino, Thomas se tornou legalmente homem em 2002. Ele não teve os órgãos reprodutivos removidos.

Com a esposa, Nancy, Thomas ficou "grávido" em 2007 de Susan. Depois, vieram mais dois filhos, Austin e Jensen. Nancy, que já tinha dois filhos crescidos de outro relacionamento, não podia mais ter filhos após ser submetida a histerectomia.

Os três filhos do casal nasceram de óvulos de Thomas e de espermatozoides do mesmo doador, que não é conhecido.
A família mora em Phoenix (Arizona, EUA). Embora Thomas e Nancy insistam que são felizes, os dois vivem em uma espécie de bolha. Os filhos frequentam uma creche diariamente. Mas os seus pais estão isolados, sem contato com qualquer membro de suas famílias. Todos se afastaram desde o anúncio da primeira gravidez de Thomas e a vida social não é fácil: já houve ameaças de morte e o casal costuma ser citado como aberração. Eles são agredidos por email, em sites, pelo Facebook e pelo YouTube. Os dois reclamam até da comunidade transexual, que, segundo eles, não dá o apoio que eles esperavam receber.
Nascimento de Jensen
Austin recém-nascido
Nascimento de Susan. 'É a minha miniatura', diz Thomas

quinta-feira, março 15, 2012

Roberto Maxwell

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 BLOGOSFERA 03
 JAPÃO 13

    Por Daniel Miyagi

    Caso o Roberto tenha lido esse texto (acho difícil porque sei que  não é leitor desse blog) peço desculpas por ter dito em público algumas conversas em privado, talvez  fiquei bravo, não sei.
   O profissional das mídias Roberto Naxwell* fez aniversário esses dias.
   Como explicar o gostar de uma pessoa que nem conhecemos pessoalmente? A net tem  dessas coisas.
   O primeiro texto do Roberto que me chamou a atenção foi em um antigo site do Yahoo, por volta de 2005, 20006. Eu acho, não tenho certeza, que o nome do site era "Meninos eu vi". Li uma crítica dele ao filme Match Point, do Woody Allen. Cheguei até gravar de tão belo, o artigo. Mas eu como sou estabanado, não sei o que fiz no meu antigo e um dos primeiros computadores, e sei que pifou , e juntos todos os meus documentos. Alguns anos mais tarde cheguei a falar isso com ele, e ele disse que não porque em 2006 já estava no Japão.
     Bom, não tenho como provar, mas ele se lembra que tinha feito algo no Yahoo, rs.
     Depois, fui descobrindo mais  desse tal Roberto Maxwell. Primeiro através do falecido jornal Intenational Press, que ele era colaborador, dando dicas culturais.
      Depois pela internet, que ele passou a circular por vários blogs. O primeiro foi nesse servidor, o Blogger, mas foi no WordPress, que ele escrevia o formidável "Produtos Notáveis" que pude conhecê-lo , com sua visão nada matemático (a palavra é outra, não lembro)  do Japão, como ele se referia.
     Repetindo literalmente o que escrevi no post sobre waidako  , esse pisciano tem várias facetas profissionais: "Roberto Maxwell tem um vasto currículo: formado em geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro,em cinema na Universidade Estácio de Sá, estudou ciências sociais aqui no Japão na Universidade de Shizuoka, foi professor de escola pública, é jornalista, produtor, diretor, documentarista, apresentador de rádio (possui um programa na radio NHK), tradutor. Possui o blog programa no Japão , gosta de fotografias, um eterno incentivador da boa música independente. Apesar dessas várias facetas, ao invés de ser chamado de multi-mídia, prefere ser chamado profissional das mídias ". E, atualizando, seu mais novo blog/site é o formidável blog coletivo Sem Fio em que ele é responsável pela  filial de Tokyo.
     Foi principalmente entre 2006 e 2007 que começamos a teclar via chat.
     A admiração pelo profissional  passou a ser pela pessoa que ele é, com suas qualidades e defeitos. Lógico, nesse meio tempo tivemos nossas desavenças, eu mesmo já disse que ele fez uma interpretação de mim que não condizia com a realidade, e isso na época tinha me magoado.
     Aí que vemos o mais importante, que passei a gostar da pessoa (se fosse qualquer um , eu que, infelizmente tenho esse lado rancoroso em muitos casos, talvez passasse a vê-lo só com defeitos), e fui compreendendo , e aprendendo , vendo através do ponto de vista dele e gostando mais ainda desse Japão tão sofrido.
     Uma vez ele me disse:"Ao contrário de você , que é descendente, é sansei (na verdade é nissei, mas ele pensava que era sansei e não o corrigi), eu vim pro Japão porque quis, podia fazer como muitos brasileiros e ir para a Europa, mas não, vim pra cá"
     Roberto Maxwell nasceu brasileiro, mas ele é de coração, um japonês, por merecimento. Embora, talvez ele não gosta de ser chamado desse jeito, porque tinha se definido como alguém de lugar nenhum.Uma porque ele é único, na maneira de ser pensar, contestar. Não importa porque ele saiu do Brasil, isso é algo de foro íntimo dele, mas sim que, ele adotou esse país.
     Basta ler um trecho do artigo dele o 11 de março - 1 ano depois :
     "1 ano depois, o que mudou? O mundo inteiro vem mostrando o quão eficiente tem sido os japoneses em reconstruir áreas devastadas e o quão obscuro o governo do país foi (e tem sido) acerca da real extensão do acidente nuclear. Isso tudo é fato. Isso tudo é notícia. Isso tudo vende. O que não vende é mostrar o quanto as comunidades estão lutando para se manter coesas e organizadas. Por isso, quase ninguém fala do assunto. Eu quero e sinto que tenho a obrigação de falar..." -desabafo que estava na garganta desse cidadão que viu a união e a luta do povo japonês diante dessa catástrofe , mas a mídia, só via  o lado ruim , como ele mesmo disse, noticiar erros e defeitos vende. O que não vende é mostrar o lado positivo.
     Na época que tínhamos contato e teclávamos, uma vez me disse a emoção que foi ao ler sozinho uma página de um livro em japonês. Uma vitória interior, que infelizmente, a maioria dos brasileiros com descendência japonesa não tem esse esforço em querer aprender, em se integrar a cultura local.
     A mídia brasileira ainda não o descobriu esse grande talento, e quando descobrir, talvez seja tarde, porque provavelmente ele estará a serviço de uma produtora japonesa
     Sempre preocupado com o fator educação, tanto em relação a educação no Brasil, como no Japão Maxwell não se conforma pelo fato das pessoas reclamarem e exigirem do governo mas elas mesmo, não fazerem nada para mudar. 
     Usando uma frase clichê, a vida dá volta que as vezes nem a gente espera e nos trás surpresas inesperadas, sejam elas boas ou não. E o ser humano, dentro da sua complexidade, diante de situações limites que nos levam a escolha. Somos o resultado dessas escolhas. E não sei se foi Roberto Maxwell que escolheu o Japão, ou o Japão que o escolheu.
    Sorte das pessoas que o conhecem pessoalmente, dos seus leitores.
   Como disse no post Ler e escrever , sei que não sou um escritor e nem tenho o talento de um. Por isso lamento muito que esse texto não esteja a altura para homenagear esse pisciano que as vezes nas redes sociais se mostra um turrão, mas  é emoção, uma pessoa verdadeira, humana.
    Bom, quem pode definir é ele próprio, através de suas palavras: "O ser japonês é uma utopia, do mesmo modo que o ser brasileiro o é. Eu não acredito em identidades nacionais. Acho que existem outros meios muito mais fortes de se criar identidade. O local pode ser um deles, o tempo é o mais forte de todos"
    Roberto san ogenki de né?

     Daniel Miyagi

    * O profissional das mídias Roberto Maxwell está no Japão desde 2005 e nunca consegue estar parado,está sempre em atividade, na web, edita dois blogs:
    Programa no Japão: http://programanojapao.blogspot.com/
    Sem Fio/ Toquio: http://programasemfio.com.br/category/toquio/