Sábado, Março 17, 2012

"Primeiro homem grávido" curte a família, mas sofre isolamento



CIÊNCIA/SAÚDE 02

'Primeiro homem grávido' curte a família, mas sofre isolamento

De O Globo 

Por Fernando Moreira

Susan Beatie tem 3 anos e adora animais. A menina quer ser veterinária. Uma história comum, exceto por um detalhe: ela é filha do "primeiro homem grávido", Thomas Beatie.

Thomas nasceu mulher, mas fez cirurgias para a mudança de sexo, embora não perdesse a capacidade de engravidar. A mulher de Thomas não podia ter filhos. Então, ele assumiu a missão de engravidar. Depois de três filhos, decidiu "fechar a fábrica".

Mas o que Thomas contará a Susan sobre a sua gestação?

"Contarei a ela o que fiz: eu a carreguei na minha barriga da mesma forma que o Senhor Cavalo-Marinho. Ela não acha que há nada estranho nisso", contou Thomas, referindo-se a uma história infantil que costuma contar para Susan.

"Há uma foto em que estou grávido. Ela aponta para ela o tempo todo, dizendo: 'Papai, papai, eu estou dentro e ficando grande, grande. E então tenho que sair'", acrescentou, em reportagem do "Daily Mail".

Nascido Tracy Lagondino, Thomas se tornou legalmente homem em 2002. Ele não teve os órgãos reprodutivos removidos.

Com a esposa, Nancy, Thomas ficou "grávido" em 2007 de Susan. Depois, vieram mais dois filhos, Austin e Jensen. Nancy, que já tinha dois filhos crescidos de outro relacionamento, não podia mais ter filhos após ser submetida a histerectomia.

Os três filhos do casal nasceram de óvulos de Thomas e de espermatozoides do mesmo doador, que não é conhecido.
A família mora em Phoenix (Arizona, EUA). Embora Thomas e Nancy insistam que são felizes, os dois vivem em uma espécie de bolha. Os filhos frequentam uma creche diariamente. Mas os seus pais estão isolados, sem contato com qualquer membro de suas famílias. Todos se afastaram desde o anúncio da primeira gravidez de Thomas e a vida social não é fácil: já houve ameaças de morte e o casal costuma ser citado como aberração. Eles são agredidos por email, em sites, pelo Facebook e pelo YouTube. Os dois reclamam até da comunidade transexual, que, segundo eles, não dá o apoio que eles esperavam receber.
Nascimento de Jensen
Austin recém-nascido
Nascimento de Susan. 'É a minha miniatura', diz Thomas

Quinta-feira, Março 15, 2012

Roberto Maxwell

 

 BLOGOSFERA 03
 JAPÃO 13

    Por Daniel Miyagi

    Caso o Roberto tenha lido esse texto (acho difícil porque sei que  não é leitor desse blog) peço desculpas por ter dito em público algumas conversas em privado, talvez  fiquei bravo, não sei.
   O profissional das mídias Roberto Naxwell* fez aniversário esses dias.
   Como explicar o gostar de uma pessoa que nem conhecemos pessoalmente? A net tem  dessas coisas.
   O primeiro texto do Roberto que me chamou a atenção foi em um antigo site do Yahoo, por volta de 2005, 20006. Eu acho, não tenho certeza, que o nome do site era "Meninos eu vi". Li uma crítica dele ao filme Match Point, do Woody Allen. Cheguei até gravar de tão belo, o artigo. Mas eu como sou estabanado, não sei o que fiz no meu antigo e um dos primeiros computadores, e sei que pifou , e juntos todos os meus documentos. Alguns anos mais tarde cheguei a falar isso com ele, e ele disse que não porque em 2006 já estava no Japão.
     Bom, não tenho como provar, mas ele se lembra que tinha feito algo no Yahoo, rs.
     Depois, fui descobrindo mais  desse tal Roberto Maxwell. Primeiro através do falecido jornal Intenational Press, que ele era colaborador, dando dicas culturais.
      Depois pela internet, que ele passou a circular por vários blogs. O primeiro foi nesse servidor, o Blogger, mas foi no WordPress, que ele escrevia o formidável "Produtos Notáveis" que pude conhecê-lo , com sua visão nada matemático (a palavra é outra, não lembro)  do Japão, como ele se referia.
     Repetindo literalmente o que escrevi no post sobre waidako  , esse pisciano tem várias facetas profissionais: "Roberto Maxwell tem um vasto currículo: formado em geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro,em cinema na Universidade Estácio de Sá, estudou ciências sociais aqui no Japão na Universidade de Shizuoka, foi professor de escola pública, é jornalista, produtor, diretor, documentarista, apresentador de rádio (possui um programa na radio NHK), tradutor. Possui o blog programa no Japão , gosta de fotografias, um eterno incentivador da boa música independente. Apesar dessas várias facetas, ao invés de ser chamado de multi-mídia, prefere ser chamado profissional das mídias ". E, atualizando, seu mais novo blog/site é o formidável blog coletivo Sem Fio em que ele é responsável pela  filial de Tokyo.
     Foi principalmente entre 2006 e 2007 que começamos a teclar via chat.
     A admiração pelo profissional  passou a ser pela pessoa que ele é, com suas qualidades e defeitos. Lógico, nesse meio tempo tivemos nossas desavenças, eu mesmo já disse que ele fez uma interpretação de mim que não condizia com a realidade, e isso na época tinha me magoado.
     Aí que vemos o mais importante, que passei a gostar da pessoa (se fosse qualquer um , eu que, infelizmente tenho esse lado rancoroso em muitos casos, talvez passasse a vê-lo só com defeitos), e fui compreendendo , e aprendendo , vendo através do ponto de vista dele e gostando mais ainda desse Japão tão sofrido.
     Uma vez ele me disse:"Ao contrário de você , que é descendente, é sansei (na verdade é nissei, mas ele pensava que era sansei e não o corrigi), eu vim pro Japão porque quis, podia fazer como muitos brasileiros e ir para a Europa, mas não, vim pra cá"
     Roberto Maxwell nasceu brasileiro, mas ele é de coração, um japonês, por merecimento. Embora, talvez ele não gosta de ser chamado desse jeito, porque tinha se definido como alguém de lugar nenhum.Uma porque ele é único, na maneira de ser pensar, contestar. Não importa porque ele saiu do Brasil, isso é algo de foro íntimo dele, mas sim que, ele adotou esse país.
     Basta ler um trecho do artigo dele o 11 de março - 1 ano depois :
     "1 ano depois, o que mudou? O mundo inteiro vem mostrando o quão eficiente tem sido os japoneses em reconstruir áreas devastadas e o quão obscuro o governo do país foi (e tem sido) acerca da real extensão do acidente nuclear. Isso tudo é fato. Isso tudo é notícia. Isso tudo vende. O que não vende é mostrar o quanto as comunidades estão lutando para se manter coesas e organizadas. Por isso, quase ninguém fala do assunto. Eu quero e sinto que tenho a obrigação de falar..." -desabafo que estava na garganta desse cidadão que viu a união e a luta do povo japonês diante dessa catástrofe , mas a mídia, só via  o lado ruim , como ele mesmo disse, noticiar erros e defeitos vende. O que não vende é mostrar o lado positivo.
     Na época que tínhamos contato e teclávamos, uma vez me disse a emoção que foi ao ler sozinho uma página de um livro em japonês. Uma vitória interior, que infelizmente, a maioria dos brasileiros com descendência japonesa não tem esse esforço em querer aprender, em se integrar a cultura local.
     A mídia brasileira ainda não o descobriu esse grande talento, e quando descobrir, talvez seja tarde, porque provavelmente ele estará a serviço de uma produtora japonesa
     Sempre preocupado com o fator educação, tanto em relação a educação no Brasil, como no Japão Maxwell não se conforma pelo fato das pessoas reclamarem e exigirem do governo mas elas mesmo, não fazerem nada para mudar. 
     Usando uma frase clichê, a vida dá volta que as vezes nem a gente espera e nos trás surpresas inesperadas, sejam elas boas ou não. E o ser humano, dentro da sua complexidade, diante de situações limites que nos levam a escolha. Somos o resultado dessas escolhas. E não sei se foi Roberto Maxwell que escolheu o Japão, ou o Japão que o escolheu.
    Sorte das pessoas que o conhecem pessoalmente, dos seus leitores.
   Como disse no post Ler e escrever , sei que não sou um escritor e nem tenho o talento de um. Por isso lamento muito que esse texto não esteja a altura para homenagear esse pisciano que as vezes nas redes sociais se mostra um turrão, mas  é emoção, uma pessoa verdadeira, humana.
    Bom, quem pode definir é ele próprio, através de suas palavras: "O ser japonês é uma utopia, do mesmo modo que o ser brasileiro o é. Eu não acredito em identidades nacionais. Acho que existem outros meios muito mais fortes de se criar identidade. O local pode ser um deles, o tempo é o mais forte de todos"
    Roberto san ogenki de né?

     Daniel Miyagi

    * O profissional das mídias Roberto Maxwell está no Japão desde 2005 e nunca consegue estar parado,está sempre em atividade, na web, edita dois blogs:
    Programa no Japão: http://programanojapao.blogspot.com/
    Sem Fio/ Toquio: http://programasemfio.com.br/category/toquio/
 



   

Apesar da crise, brasileiros da Grécia evitam "abandonar o barco"



Atualizado em  24 de fevereiro, 2012 - 09:20 (Brasília) 11:20 GMT

Foto: Arquivo pessoal
Roberta foi para Grécia em busca de trabalho e não quer voltar, apesar da crise
Aumentos de impostos, sucessivas altas nas tarifas de serviço público, corte de pensões e salários, demissões e medo do dia de amanhã. Tudo isso faz parte das experiências da comunidade brasileira na Grécia.
Relatos dos residentes dão a dimensão do aprofundamento da situação no país, símbolo maior da mais grave crise da zona do euro.
Apesar das dificuldades, os brasileiros vivendo na Grécia alegam que as boas relações com os gregos, que os receberam quando a crise era no Brasil, pesam a favor da permanência dos imigrantes. Não é hora, dizem, de abandonar o barco.
A vivência na antes turbulenta economia brasileira ajuda a dar fôlego para superar o mau momento.
Apesar da crise, a manicure Roberta de Souza Raimundo, na Grécia há 11 anos, não pensa em regressar ao Brasil. "Enquanto eu puder, vou ficar e apoiar, porque me receberam muito bem em uma época que não havia oportunidade no Brasil", conta ela.
Roberta cursou faculdade de Hotelaria, foi para a Grécia de férias, ficou 4 anos ilegal no país, casou-se e acabou se profissionalizando como manicure, atividade da tia, Márcia de Souza Batista que morou na Grécia por 18 anos. "Eu gostei tanto daqui que aprendi o idioma em três meses", lembra.
"Mas, como os gregos têm dito ultimamente, teremos que aprender a viver com menos. Para nós brasileiros, nascidos na crise, este não chega a ser um grande problema", acrescenta.
Muitos de seus clientes Roberta herdou da tia, Márcia, que com o marido desempregado há meses e a clientela reduzida a 50%, não viu outra saída a não ser deixar a Grécia.
Motivada pelo bom momento da economia brasileira Márcia resolveu fazer o caminho de volta. Hoje ela mora em São Paulo, onde abriu uma lanchonete com o marido.
"Fui para a Grécia porque o Brasil estava em crise", conta ela. "Estamos indo bem. Embora eu sinta dó dos gregos, acho que saí na hora certa", avalia.

'Aprender a viver com menos'

De acordo com a Embaixada Brasileira na Grécia, há aproximadamente 3 mil brasileiros no país. A maior parte deles, mulheres casadas com trabalhadores do poderoso setor de navegação do país mediterrâneo.
Há também filhos de gregos nascidos no Brasil que optaram pela vida na Europa, jogadores de futebol, dançarinos e capoeiristas. "A maior parte dos brasileiros que residem aqui não tem qualificação superior, a exceção de médicos e trabalhadores do setor de turismo", diz o primeiro secretário da Embaixada, Gustavo Bezerra.
"Há, ainda, muitas mulheres que trabalham como faxineiras e manicures", acrescenta ele, destacando dois segmentos que costumavam atrair muitas brasileiras.
Há 18 anos em Atenas, Viviane Fiorentino se emociona ao falar da crise. Dona de um spa para pés e mãos, viu a clientela encolher 70% e teve que dispensar quatro dos cinco funcionários. Mas afirma que vai esperar mais dois anos antes de tomar a decisão de voltar ao Brasil.
"Minhas amigas gregas não têm como sair. Elas sempre dizem que vamos superar este momento juntas...(chora) Desculpe, isso me emociona muito. Minhas amigas são muito solidárias, como é todo o povo aqui. Tenho uma gratidão enorme, porque me receberam bem quando eu mais precisava. Este é um povo carinhoso que não me deixa sentir saudade do amor brasileiro. Enquanto minhas economias durarem, eu fico", diz, com voz embargada.

Laços de família

Assim como Roberta e Viviane, outros que criaram laços e família no país acabam fazendo com que a comunidade brasileira continue crescendo. "Há brasileiros deixando o país, mas o número de certidões de nascimento que emitimos em 2011 foi 50% maior do que em 2010, chegando a 97. Ou seja, a comunidade deve até crescer", diz o diplomata Gustavo Bezerra.
Com uma taxa de desemprego de 20% e a miséria batendo à porta (19% dos gregos já se encontram nesta condição, de acordo com a Eurostat, agência europeia de estatística), nem sempre o coração fala mais alto.
"Vamos lutar para ficar. Agora, se a situação se tornar muito difícil, não dá para ficar com sentimentalismo"
Isabel Cardoso de Brito, professora
Funcionária pública (setor que sofre com cortes salariais), mãe de dois filhos e residente em Atenas há 26 anos, Isabel Cardoso de Brito lembra que o Brasil está em um bom momento, mas ainda tem enormes problemas, como altos índices de criminalidade.
"Não quero sair da Grécia por conta da crise. Sairia por opção", afirma ela, professora da rede pública de ensino grega. "Vamos lutar para ficar. Agora, se a situação se tornar muito difícil, não dá para ficar com sentimentalismo", pondera.

Segunda-feira, Março 12, 2012

Bom jornalismo fascina e vende



Publicado em Opinião em O Estado de São Paulo
 Por CARLOS ALBERTO DI FRANCO

As virtudes e as fraquezas dos jornais não são recatadas. Registram-nas fielmente os sensíveis radares dos leitores. Precisamos, por isso, derrubar inúmeros desvios que conspiram contra a credibilidade dos jornais.
Um deles, talvez o mais resistente, é o dogma da objetividade absoluta. Transmite, num pomposo tom de verdade, a falsa certeza da neutralidade jornalística. Só que essa separação radical entre fatos e interpretações simplesmente não existe. É uma bobagem.
Jornalismo não é ciência exata e jornalistas não são autômatos. Além disso, não se faz bom jornalismo sem emoção. A frieza é anti-humana e, portanto, antijornalística. A neutralidade é uma mentira, mas a isenção é uma meta a ser perseguida. Todos os dias. A imprensa honesta e desengajada tem um compromisso com a verdade. E é isso que conta.
Mas a busca da isenção enfrenta a sabotagem da manipulação deliberada, a falta de rigor e o excesso de declarações entre aspas.
O jornalista engajado é sempre um mau repórter. Militância e jornalismo não combinam. Trata-se de uma mescla, talvez compreensível e legítima nos anos sombrios da ditadura, mas que, agora, tem a marca do atraso e o vestígio do sectarismo. O militante não sabe que o importante é saber escutar. Esquece, ofuscado pela arrogância ideológica ou pela névoa do partidarismo, que as respostas são sempre mais importantes que as perguntas.
A grande surpresa no jornalismo é descobrir que quase nunca uma história corresponde àquilo que imaginávamos. O bom repórter é um curioso essencial, um profissional que é pago para se surpreender. Pode haver algo mais fascinante? O jornalista ético esquadrinha a realidade, o profissional preconceituoso constrói a história.
Todos os manuais de redação consagram a necessidade de ouvir os dois lados de um mesmo assunto. Trata-se de um esforço de isenção mínimo e incontornável. Alguns desvios, porém, transformam um princípio irretocável num jogo de cena.
Matérias previamente decididas em guetos engajados buscam a cumplicidade da imparcialidade aparente. A decisão de ouvir o outro lado não é sincera, não se fundamenta na busca da verdade. É uma estratégia.
O assalto à verdade culmina com uma tática exemplar: a repercussão seletiva. O pluralismo de fachada convoca, então, pretensos especialistas para declararem o que o repórter quer ouvir. Personalidades entrevistadas avalizam a "seriedade" da reportagem. Mata-se o jornalismo. Cria-se a ideologia.
É preciso cobrir os fatos com uma perspectiva mais profunda. Convém fugir das armadilhas do politicamente correto e do contrabando opinativo semeado pelos arautos das ideologias.
A precipitação e a falta de rigor são outros vírus que ameaçam a qualidade da informação. A manchete de impacto, oposta ao fato ou fora do contexto da matéria, transmite ao leitor a sensação de uma fraude.
Autor do mais famoso livro sobre a história do The New York Times, Gay Talese vê importantes problemas que castigam a imprensa de qualidade: "Não fazemos matéria direito porque a reportagem se tornou muito tática, confiando em e-mails, telefones, gravações. Não é cara a cara. Quando eu era repórter, nunca usava o telefone. Queria ver o rosto das pessoas".
"Não se anda na rua, não se pega o metrô ou um ônibus, um avião, não se vê, cara a cara, a pessoa com quem se está conversando", conclui Talese. E o leitor, não duvidemos, capta tudo isso.
Boa parte do noticiário de política, por exemplo, não tem informação. Está dominado pela fofoca e pelo declaratório. Não tem o menor interesse para os leitores. O uso de grampos como material jornalístico virou ferramenta de trabalho. A velha e boa reportagem foi sendo substituída por dossiês. De uns tempos para cá, o leitor passou a receber dossiês que muitas vezes não se sustentam em pé por mais de três dias. Curiosamente, quem os publica não se sente obrigado a dar nenhuma satisfação ao leitor. Entramos na era do jornalismo sem jornalistas, nos tempos da reportagem sem repórteres. Ficamos, todos, fechados no ambiente rarefeito das redações. Enquanto esperamos o próximo dossiê, tratamos de reproduzir declarações entre aspas, de repercutir frases vazias de políticos experientes na arte de manipular a imprensa.
Mesmo assim, os jornais têm prestado um magnífico serviço no combate à corrupção. Alguém imagina que a cascata de demissões no governo teria ocorrido sem uma imprensa independente? Jornais de credibilidade oxigenam a democracia. As tentativas de controle da mídia, abertas ou disfarçadas, são sempre uma tentativa de asfixiar a liberdade.
O leitor que precisamos conquistar não quer o que pode conseguir na TV ou na internet. Ele quer algo mais. Quer o texto elegante, a matéria aprofundada, a análise que o ajude, efetivamente, a tomar decisões. Conquistar leitores é um desafio formidável. Reclama realismo, ética e qualidade.
A autocrítica, justa e necessária, deve ser acompanhada por um firme propósito de transparência e de retificação dos nossos equívocos. Uma imprensa ética sabe reconhecer os seus erros. As palavras podem informar corretamente, denunciar situações injustas, cobrar soluções. Mas podem também esquartejar reputações, desinformar.
Confessar um erro de português ou uma troca de legendas é fácil. Mas admitir a prática de atitudes de prejulgamento, preconceitos informativos ou leviandade noticiosa exige coragem ética. Reconhecer o erro, limpa e abertamente, é o pré-requisito da qualidade.
O jornalismo tropeça em armadilhas. Nossa profissão enfrenta desafios, dificuldades e riscos sem fim.
E é aí que mora o desafio.
CARLOS ALBERTO DI FRANCO, DOUTOR EM COMUNICAÇÃO; É PROFESSOR DE ÉTICA E DIRETOR DO MASTER EM JORNALISMO. E-MAIL: DIFRANCO@IICS.ORG.BR - O Estado de S.Paulo

Domingo, Março 11, 2012

Desabafo sobre o dia 11 de março



  Daniel Miyagi 09
 JAPÃO 12

 Por Daniel Miyagi

    Passou da meia-noite e eu estava  teclando com minha amiga Thais. Estávamos nos  despedindo, porque ela ia dormir, e eu falei que tinha que arrumar coragem porque está um frio danado, e ainda tinha que sair pra ir no mercado pra comprar mistura. Peguei a bicicleta, comecei a pedalar e não sei porque me deu uma sensação inexplicável de felicidade. Felicidade sem motivo aparente, por  estar vivo, coisa rara nos últimos tempos, essa sensação de felicidade sem motivo aparente nenhum.
    Já tinha pensado em escrever algo sobre o 11 de março de 2011, planejava um conto, mas a vontade não via. Um bloqueio.
     Evitava pensar no assunto.
     Cheguei agora pouco liguei o computador, e li a reportagem da Claudia Sarmento sobre ela visitando Fukushima um ano depois. Nossa me deu um arrepio, uma vontade de chorar. Depois li o post do meu querido Roberto Maxwell, ele relatando o ponto de vista dele sobre esse acontecimento.
     Um ano atrás eu estava em Yamagata, província bem próxima de Miyagi, Iwate e Fukushima, locais onde ocorreram o tsunami e acidente nuclear.
      Era uma tarde,estava no serviço, tinha subido para ir no banheiro. Fui até o local onde trocamos as roupas, ia trocar de camiseta , porque estava suando bastante. Embora fosse inverno, nevava na região, mas dentro do serviço porque a gente corria trabalhávamos  apurados, suávamos feito condenados na prisão. No vestuário, onde começava a abrir o armário para trocar de camiseta, veio um shain (funcionário da firma) , ele ia também abrir o armário dele, foi nessa hora que veio uma tremida. Não eram as tremidas normais que de vez em quando (ultimamente posso dizer que é de vez em sempre isso sim) ocorrem, tremidas rápidas. Foi como se a firma fosse uma casa de brinquedo, e alguém tivesse sacudido a casa de brinquedo. Ou, um soco. Rapidamente, veio outro "soco", e mais outro. Ou sei lá, a casa de brinquedo estava sendo muito sacudido. O shain falou em voz alta "yabai jishin",  isto é, " droga, terremoto" (uma tradução livre hem?) eu nem troquei de roupa, mal fechei a porta do armário e nós saimos do vestuário e fomos até o escritório, que é no mesmo corredor.
    Ao contrário dos terremotos normais  (como se terremoto pudesse algo normal), esse foi pavorosamente forte. As tremidas, que como disse pareciam uma sacodela, um boxeador socando um saco (e o prédio com a gente dentro era o saco), passaram a ser incessante. Os japoneses do escritório, incrível, em nenhum momento demonstraram medo, ficaram em pé, mesmo sabendo que era algo anormal. Já os funcionários estrangeiros se desesperaram, gritos histéricos, começaram a correr. Eu pensei: "enquanto os japoneses estiverem calmos, é porque a coisa não é tão grave, caso eles demonstrem medo é porque a situação é calamitosa" me agarrei nesse pensamento , segurando as mãos, ao mesmo tempo vinha na minha cabeça,  que o prédio podia desabar com a gente dentro. Ia morrer sozinho no Japão, minha mãe no Brasil, meu Deus, o que será dela, mil pensamentos, e por fora só vendo a calma dos japoneses, minha âncora para também não me desesperar. Na minha viagem neurótica, pensei, eu sozinho, se morresse, ninguém ia saber, e vinha minha mãe na cabeça, quem ia cuidar dela, lembrava dos meus amigos distantes, amores. Tudo em questão de segundos. Brega? Piegas? Clichê? Pode ser, mas era o que sentia.
     Já passei por tanta coisa aqui no Japão, já tive até um derrame e sobrevivi, e podia morrer bestamente soterrado. Nossa quanto delírio, ficava pensando mil coisas, só pra não estar naquele momento ciente que o prédio tremia sem parar, meu corpo estava no prédio, mas eu pensava vários absurdos pra fugir e não entrar em pânico.


     Passado algumas  horas já na minha casa alugada de Yamagata, eu sozinho, sem eletricidade, nem podia ligar a tv pra saber as notícias, sorte que no meu smartphone podia acessar o twitter e de lá começava a ficar a par da situação. Os brasileiros que vivem em Nagoya, Hamamatsu e Tokyo, teclavam. Pela internet fiquei sabendo do tsunami em Miyagi. Mas mesmo sabendo eu não tinha noção nenhuma do perigo, da tragédia. Tudo o que queria era ligar para minha mãe para acalmá-la. Mas durante alguns dias não dava para usar telefone, nem celular, eu praticamente estava isolado em Yamagata.
     Passado, alguns dias e semanas, devagar as pessoas estavam tentando retomar a seus afazeres, porque retomar  aquela vida antes do dia 11, é impossível.
     Eu e alguns brasileiros que trabalhavam junto na mesma firma, ficamos com medo.  Uma porque ainda vinham pequenos tremores, outra Fukushima estava bem próxima da gente, e as notícias estavam desencontradas, falava-se que a radiação nuclear podia chegar em Yamagata . Naquele momento só conseguia me desabafarr com uma amiga do Brasil, a Sônia, via e-mail.-Queria voltar para Kawaguchi, Saitama, província ao lado de Tokyo onde realmente moro. Mas para ir embora, tinha que passar por Fukushima, que fica entre Yamagata e Tokyo, e as estradas estavam bloqueadas.
     Foi quando um amigo jornalista, via twitter, me disse que representantes da Embaixada do Brasil estavam fazendo uma caravana de ônibus até Sendai (capital de Miyagi) resgatar brasileiros que estavam lá ou proximidades. Ia fazer, isso, mas um amigo meu japonês entrou em contato comigo e foi me buscar. Quando ele foi me buscar já era final de março, e essa altura, as estradas que davam acesso a Fukushima já estavam desbloqueadas. Voltei para Kawaguchi, e aos poucos fui retomando minha rotina.
     É engraçado a percepção de quem não passa por esse momento é diferente de quem realmente as vive. Em janeiro, fiz um post intitulado "Minha impressão quase um ano após o terremoto" , e um dos comentários foi que o terremoto parecia ter ocorrido mais de um ano, como se fosse algo longe. Pra gente, que estamos aqui no Japão, pra mim que estive bem próximo dos locais do tsunami, pras pessoas de Miyagi, Iwate e Fukushima pode-se passar um ano, dois, quinze anos, nunca será uma lembrança longe. Mesmo quando não queremos lembrar.
     Passado um ano, eu, que nunca achei  que escreveria isso, pois esse desabafo é eu me desnudar dos meus sentimentos, e por mais clichê que seja, agradeço.
     Agradeço por estar aqui compartilhar essa vivência, e sabe, é nesse momento que se percebe que muitas angústias, esses debates intermináveis que vemos na internet, mída atacando , reclamações de salário baixo,  discutir BBB, falar mal de brasileiro que não se comporta bem no Japão, falar mal do seu país, dinheiro, política, poder, tudo é tão insignificante e passageiro. Inclusive a vida.
    Ao mesmo tempo que a vida é efêmera, ela continua, e o ser humano ao invés de se amesquinhar nos acontecimentos banais do cotidiano, devia parar nem que por alguns instantes, respirar , ver e ter consciência que esse acontecimento contraditório paradoxal, que é a vida, e o fato de a gente de uma forma ou de outra participarmos dela, é algo único e inigualável.
    Termino, pedindo um minuto de silêncio para os seres humanos que se foram na tragédia do ano passado.
  Por eles, por nós, a esperança, solidariedade, façamos de nós humanos, um mundo melhor.

Daniel Miyagi

Quinta-feira, Março 08, 2012

Turismo gay elege São Paulo como rota



 GAY 07/LGBT08

Turismo gay elege São Paulo como rota
Pulicado no Jornal da Tarde

FABIANO NUNES
Uma pesquisa feita pelo portal GayCitiescom, em parceria com a empresa de linhas aéreas American Airlines, apontou São Paulo como um dos melhores destinos gay friendly (receptivo ao público LGBT – lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) do mundo. A capital paulista aparece em quarto lugar, com 6% dos votos. Tel Aviv (43%), em Israel, ficou no topo da lista; Nova York (14%), nos Estados Unidos, ficou em segundo. Em seguida vem Toronto (7%), no Canadá. Madri e Londres ficaram em quinto lugar, com 5%.
A pesquisa também avaliou outros oito quesitos, entre eles melhor gastronomia, moda e vida noturna. São Paulo foi citada novamente no item Cidade do Orgulho Gay. Ficou em segundo lugar com 12%, atrás de São Francisco, nos Estados Unidos, que liderou a lista, com 29% das citações.
Para Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, o evento, que este ano terá sua 16ª edição, teve grande importância para a cidade ganhar esse destaque. “Além de trazer um grande número de turistas, a parada fez a cidade discutir um tratamento igualitário para a questão da homossexualidade”, comentou. “O ramo da hotelaria e de alimentação se preparam cada vez melhor para receber esse público. Só no ano passado, cerca de 4 milhões de pessoas estiveram na Paulista para acompanhar o evento.”
Segundo pesquisa do Observatório do Turismo da Cidade feito pela SPTuris, 49,8% dos participantes vieram de outros Estados e 2,1% são estrangeiros. Boa parte dos turistas de outros países, de acordo com a pesquisa, são dos Estados Unidos, Inglaterra, África do Sul e Itália. “A Parada Gay é um dos grandes eventos da cidade. A semana em que ela ocorre é quando as casas noturnas voltadas a esse público registram seu maior movimento. Isso deve ter influenciado na pesquisa”, disse o presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT.
Estima-se que durante a Parada estiveram em São Paulo cerca de 400 mil turistas. A Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat-GLS), acredita que o roteiro cultural de São Paulo também é um dos grandes atrativos. “A cidade é repleta de museus, teatros e cinemas. E o público gay tem uma ligação forte com essa vida cultural”, observou Douglas Magri, diretor financeiro da entidade. Ele citou algumas atrações para o público LGBT em São Paulo.
A pesquisa feita pela SPTuris, com o público da parada LGBT 2011, mostra que os turistas gays são atraídos principalmente pelo entretenimento e pelas compras. E apesar de São Paulo ainda não oferecer hotel exclusivo para o segmento LGBT, os participantes avaliaram que a rede hoteleira está bem preparada para recebê-los.

Terça-feira, Março 06, 2012

A ganância e o descaso dos donos de tv com seus funcionários




      MÍDIA 02

      Por Daniel Miyagi

     A RedeTV! agiu  rápido na procura de substituto do Pânico, que vai estrear esse mês na Band. Sem dúvida nenhuma, Rafinha Bastos é uma boa aquisição e o programa que ele vai conduzir, o "Saturday Night Live" é um dos maiores sucessos da tv americana. Isso se deve principalmente a união de seus donos, que estavam as turras, cada um para um lado, desestruturando mais o ambiente da emissora.
     Mas a declaração do dono da emissora, Almicare Dallevo, dizendo que o faturamento do programa não chegava a 40% como se menciona, e o custo do programa ser muito caro, desprezando os anos de trabalho de toda a equipe do Pânico dedicado a emissora, é de uma ingratidão sem limites. Como também chega a ser cara-de-pau dizer que a emissora nunca esteve em situação financeira ruim e que eventuais atrasos de salários de funcionários terceirizados serem exceções e não regra.
     Como bem escreveu Luis Nassif , alguns anos atrás, audiência média da emissora era de 5 pontos com tendência pra cima, e hoje a média custa a chegar a 2 pontos, com tendência pra baixo.
     Segundo o portal Brasil 247,  Enquanto Rede TV! afunda, dono leva vida de sultão ;



Enquanto RedeTV! afunda, dono leva vida de sultão 
        Já  a Record, emissora vice-líder de audiência, se o ambiente não chega a ser calamitoso como a RedeTV! também não é dos melhores. O ano de 2011 foi marcado como um "aperto no cinto" no grupo entretenimento da Record, seja na tv aberta, no seu canal de notícias, ou no seu portal, o R7. Circulavam notícias que há um grupo de supervisores (no caso da tv aberta) de verificar se os programas não estouravam o orçamento, se não havia desperdício de material, passando a ser proibido (a não ser em casos excepcionais) o uso de horas extras.
     No setor de teledramaturgia, além da proibição de horas extras, também não se grava mais em finais de semana e  feriados. Ora, isso numa produção de novela é algo surreal para a realidade brasileira. A produção de uma novela (ainda mais uma novela brasileira, que é conhecida pelo bom nível de qualidade) é um trabalho industrial e pesado, exige horas de trabalho em estúdio e externa. Esse tipo de ordem numa produção novelística beira ao surreal, assim como é surreal as novelas do SBT serem inteiramente gravadas.
     Esse rigor administrativo cria uma situação de instabilidade. Daí, para surgirem boatos, é um passo adiante. Recentemente, apareceram boatos que o canal de notícias Record News e o portal R7 seriam fechados.  Boatos ou não, o fato é que todo mês, aparece uma notícia de alguma demissão dentro do cast da Record.
     Ainda no setor de dramaturgia da Record, ela optou em não renovar contrato de boa parte dos atores de seu banco de elencos.
     Se a situação está drástica desse jeito, por que investir nesse momento, o valor exorbitante de mais de 25 milhões de reais numa minissérie bíblica como Rei Davi? Veja bem, não estou dizendo que valeu a pena, pois a qualidade é indiscutível, e na maioria das vezes está batendo a Globo, mas esse foi o momento adequado de produzir um projeto tão caro?
     Na verdade, tanto o caso da RedeTV! (que precisa lutar bastante esse ano para convencer o mercado publicitário que ela não vai falir) e como o caso da Record, são casos de má administração.Nesse ponto sejamos justos, a Band, em todos esses anos, quando é preciso, ela demite mesmo, mas nunca atrasou salário e atualmente com Diego Guebel, respondendo pela programação da emissora, ela não se aventura em projetos tão caros assim.
    A  má administração dos donos dessas tvs, fazem sua ganância seja maior, enquanto que na vida pessoal, os donos levam uma vida de sultão (ao invés de investir em sua mão de obra ) , causando um descaso com seus funcionários.

    Daniel Miyagi

Domingo, Março 04, 2012

Ler e escrever



 BLOGOSFERA 02
CULTURA/ENTRETENIMENTO 13

  Por Daniel Miyagi

   O ato de escrever é uma tarefa inglória. É solitário. Requer paciência e perseverança. Para quem quer se aventurar na escrita literária (não que me considere um escritor) precisará também de outro item fundamental: o talento.
   Não importa o meio, a linguagem e a plataforma utilizada, o escritor (que pode ser roteirista de cinema ou de quadrinhos, um novelista, um dramaturgo, contista ou cronista) geralmente é a figura que trabalha toda sua idiossincrasia, neurose e insegurança ao criar todo um universo fictício (por mais influência e referência que tenha com a realidade, nunca deixará de ser isso, influência) com seus personagens e situações narrativas.
   Enquanto esse universo fictício está dentro de sua cabeça, isso não passa de apenas uma masturbação literária. Mas a partir do momento que decide expor suas ideias (podendo ser brilhantes ou medíocres) e por no papel ou no computador, se desnuda para o mundo que não é apenas o seu, e sim de todos. Se desnuda principalmente para o seu mais cruel inquisidor: o público.
     De qualquer forma, escrever é uma aventura fascinante e inigualável. São poucos os que tem talento e técnica para escrever. Mas ao se aventurar nesse universo de palavras e dividir com o público (que pode ser leitor de um livro, espectador de teatro, telespectador de novela)  suas angústias, emoções, histórias que sempre queríamos ter conhecido sem ao menos saber que queríamos, conseguir que haja uma auto identificação com determinada situação do protagonista, o escritor cumpre sua missão: envolver o público.
     Tive sorte nesse ponto. Estudei em escola pública, e as minhas professoras de português, apesar  de serem professoras de escola pública (salários baixos e falta de condições de trabalho), sempre demonstraram seu amor a profissão, eram amantes de literatura e no meu caso em particular, sabiam me envolver na leitura de um livro. Desde pequeno, aprendendo a ler Monteiro Lobato, ou escritores infanto-juvenis da época, como Stella Car e Marcos Rey, até chegar em Machado de Assis, Guimarães Rosa e Eça de Queiroz. Ao mesmo tempo, que por conta própria, ia descobrindo Kafka, Jean Genet, Sartre.
     É sabido que no Brasil é baixo o número de pessoas que leem um livro, um país que ainda o analfabetismo é grande, e que a cultura é deixado a último plano nas prioridades dos governantes. Mesmo agora, sabemos que a presidente Dilma é uma grande apreciadora de cultura, assim como o ex-presidente Lula é um grande amante do futebol, o seu lado gestora a fazem deixar sua paixão pela cultura com míseros por cento do orçamento no ministério da Cultura e deixando a ministra Ana Hollanda se envolver em escândalos e intrigas, sendo alvo fácil da mídia.
     Hoje, o livro de papel enfrenta a concorrência do livro digital. A mobilidade de aparelhos como tablets e e-books, trouxe praticidade para as novas gerações. Não estou afirmando, ao contrário de muitos, que o livro de papel está com os dias contados (ao contrário do jornal de papel), mas que haverá uma maior segmentação, com certeza haverá, e o grande desafio é incorporar essa geração acostumada com a praticidade que a internet proporciona,  e transformá-los, nos leitores de amanhã.
    No Japão o mercado de livros anda em rebuliço, houve uma perda de leitores devido a crise econômica, e outros migram para os aparelhos móveis (smartphones em primeiro lugar, depois tablets e e-books) e o mercado editorial tenta se adaptar aos novos tempos.
    Além disso, já existe toda uma produção literária feita diretamente para a internet. Os mais conservadores atacam dizendo que isso não é literatura. Já os mais contemporâneos souberam utilizar as ferramentas da internet e souberam se adaptar a atualidade.   Um exemplo disso é o blog coletivo literário O Bule* , uma amostra que a adequação aos novos tempos é necessária e vital para não perder o leitor de vista. Alias, vale a pena ler o post "A leitura como aventura inesquecível", do escritor Rogers Silva, publicado no O Bule do dia 26 de fevereiro.
     Fora isso, quero deixar claro, que tenho consciência das minhas limitações literárias e sei que não sou um escritor.
     Sobre a dificuldade de escrever e se assumir como escritor, deixo o link do blog do Artur Xexéo*, em que ele relata a dificuldade de se assumir como cronista. Eu discordo, suas escritas no Caderno de Cultura do O Globo mostram toda seu talento.
      Enfim, ler e escrever são na verdade atos de  mergulho no universo único das palavras.
     
Daniel Miyagi

* Artur Xexéo é jornalista,trabalhou no "Jornal do Brasil", e nas revistas "IstoÉ" e "Veja". Colunista do jornal "O Globo", é editor do Blog do Xexéu: http: //oglobo.globo.com/cultura/xexeo/

* O Bule  é um blog coletivo literário, onde são publicados, contos, séries, resenhas, crônicas em forma de mininarrativas: http://www.o-bule.com/

Terça-feira, Fevereiro 28, 2012

O lado positivo do Fabrício



CIÊNCIA/SAÚDE 01
Corajoso  e comovente (sem ser piegas) depoimento



O Lado Positivo do Fabrício from Fabio Bagatoli on Vimeo.

Vídeo postado originalmente no Superpride


Pais autoritários são mais propensos a criarem filhos delinquentes, diz pesquisa



 Daniel Miyagi 08
 Pais autoritários são mais propensos a criarem filhos delinquentes, diz pesquisa
Do UOL

De  acordo com uma pesquisa da Universidade de New Hamshire (UNH), nos Estados Unidos, publicada na edição de fevereiro do "Journal of Adolescence", pais altamente controladores, autoritários e explosivos são mais propensos a criarem filhos delinquentes.
Segundo o estudo, realizado desde 2007 com estudantes de ensino fundamental e médio, há uma diferença no tipo de autoridade que os pais impõem dentro de casa, classificados como: exigentes, autoritários e permissivos. Em nota sobre a pesquisa, Rick Trinkner, doutorando da UNH e um dos responsáveis pelo estudo, diz que o estilo de educação dos pais pode interferir na visão e no comportamento de seus filhos. "Os adolescentes que percebiam os pais como autoridades legítimas são menos propensos a terem comportamentos delinquentes", disse.
Notou-se que pais classificados como exigentes são controladores, mas, também, calorosos e receptivos às necessidades de seus filhos. Eles conversam abertamente, explicando às crianças os limites e regras estabelecidas. De acordo com o estudo, pais com essas características criam crianças auto-suficientes, contentes e com autocontrole.
Os pais permissivos, porém, acabam não estabelecendo limites, mas ainda são receptivos às necessidades de seus filhos. Por não haver regras estabelecidas, as crianças não sentem que seus pais estão realmente presentes, muito menos possuem alguma autoridade real. Isso não os faz terem mais ou menos chances de serem delinquentes futuramente, mas os filhos sentem falta de uma relação paternal que os guiem.
Já os pais autoritários são pouco receptivos. As regras são estabelecidas sem explicações ou chance de argumentação. Nesse caso, espera-se que as regras sejam obedecidas sem contestação. O resultado é a criação de filhos menos auto-suficientes, descontentes e sem noção de autocontrole.
"Quando as crianças consideram seus pais autoridades legítimas, eles confiam e sentem que têm a obrigação de fazer o que eles mandam. Esse é um atributo importante para qualquer figura de autoridade, já que o pai não precisa usar um sistema de recompensa e castigo para controlar o comportamento dos filhos, sendo mais provável que a criança siga as regras quando os pais não estejam presentes fisicamente", diz o pesquisador Rick Trinkner.
Segundo a pesquisa, os resultados mostram que criação de legitimidade dos pais é uma técnica para que os adultos tenham controle sobre seus filhos. Além disso, pais exigentes possuem mais chances de serem obedecidos do que os autoritários ou permissivos --nesse caso ocorre o efeito contrário: os filhos tendem a minar a autoridade paterna sendo mais rebeldes.

Domingo, Fevereiro 26, 2012

Especulações sobre movimentações na mídia



 MÍDIA 01

Segundo o jornalista Luis Nassif, está havendo um movimento de especulações sobre veículos de comunicação.
Transcrevendo o que ele escreveu, recentemente a UOL fechou capital. Faz parte de uma operação conduzida pelo Pactual. Há rumores no mercado de que o passo seguinte será reabrir o capital mas na Bolsa de Nova York.
O segundo movimento - ainda no campo das especulações - seria adquirir o grupo O Estado de S. Paulo, há algum tempo à venda.
Dois outros movimentos deverão ocorrer em breve. Um, na Rede TV, que vem enfrentando dificuldades crescentes. Dois anos atrás conseguiu média de audiência de 5 pontos e possibilidade de ascensão. Agora, é de 2 pontos com possibilidade de queda. Os donos não se entendem e mantém modos de vida faustosos, incompatíveis com os prejuízos registrados pela rede.
A interlocutores preocupados, em Brasilia, informaram que já possuem um comprador pronto a entrar.
Há tentativas de alguns grupos, ligados ao PT, de adquirir o portal iG.
 O link é esse.

Outra especulação que corre é a volta de um outro grupo interessado no canal Band Sports.