Sábado, Outubro 07, 2006

2o Festival de Cinema Brasil em Tokyo

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Trecho de reportagem do jornal International Press, do caderno Mais do dia 30 set 2006:
¨Desde o lançamento do documentário Ônibus 174 do diretor José Padilha, a única possibilidade de ver filmes brasileiros em cinemas do Japão tem sido festivais como i Cinema Brasil de Tokyo que encerrou sua segunda edição adia 24 de setembro.Sucesso de público, o evento trouxe 20 filmes-9 ongas e 11 curtas- para uma maratona de 9dias nu dos mais charmosos pontos da capital japonesa, o Tokyo International Forum.
Fã de cinema, o produtor do evento Edson Mineki selecionou os filmes do festival com a cineasta Flavia Rea Godschmidt. O objetivo era oferecer um panorama diversificado da produção brasileira atual. Foram exibidos sucessos como Olga, de Jayme Monjardim e filmes mais alternativos como Madame Satã, de Karim Ainouz.¨
Considerações desse que escreve:
Por se tratar um festival exibido em Tokyo, o filme não foi dirigido para a comunidade brasileira. Já que boa parte dos 305.000 brasileiros residentes aqui não moram na grande capital do arquipélago. Tanto é que, os que mais se ouviu, além do nihongô, foi o espanhol, a língua latina mais próxima da gente.E é engraçado e triste, pois os vizinhos peruanos, argentinos, chilenos preferiram assistir filmes brasileiros, do que nós mesmos.....e olha que boa parte deles também não tem um grande número residente aqui em Tokyo....
Por outro lado , acho acertado a exibição na cidade, pois se trata da capital japonesa, onde o espaço para a cultura e a diversificação é mais acessível. Os japoneses que assistiram ao evento, grande parte deles, gostaram e poderam ver as diversas facetas desse Brasil enorme que nós temos, pois para eles só imagem de samba e futebol e Amazônia está presente.
Dos filmes exibidos, pode-se constatar o talento reconhecido atualmente pelo grande público brasileiro, o ator Lázaro Ramos, agora pela novela Cobras & Lagartos. Mas aqui podemos comprovar o grande talento de Lázaro através do filme de Jorge Furtado, O homem que copiava, e, principalmente Madame Satã, de Karim Ainouz, onde dá um show de interpretação.Outro filme presente do diretor Jorge Furtado foi o Houve uma vez dois verões, uma amostra que comprova que o Rio Grande do Sul é um dos centros criativos da atualidade no cinema brasileiro.E não como deixar de citar o Bens Confiscados, do Carlos Reinchebach, um dos grande diretores paulistas que nós temos. Outro grande acerto foram os documentários, como o premiadíssimo Doutores da Alegria , o Gambarê (documentário que fala do bairro da Liberdade, bairro paulistano onde há imigrantes asiáticos e a maneira como se adaptaram na cidade) e o Vozes do Brasil, exibição dos melhores shows de cantores mpb com apresentação da jornalista Patrícia Palumbu, programa que era exibido pela radio Eldorado FM SP, mas que hoje perdeu suas características originais.
Daí ficam as perguntas: dos latinos, a comunidade brasileira foi a que menos assistiu o festival, isso é desinteresse ou falta de informação? Em um momento onde a onda nacionalista grita mais alto e qualquer motivo é para se manifestar contra os estrangeiros residentes aqui no arquipélago (no caso os brasileiros sempre aparecem nas manchetes de jornais japoneses como autores de crimes, sequestros, roubos) o festival consegue reduzir essa imagem negativa?
Ficam as questões me ajudem nas respostas....