quarta-feira, 23 de maio de 2007

Mundo moderno ou conservador?












Fazendo um balanço de abril , o texto que deu o que falar foi o Antes de mais nada, especialmente quando citei a pesquisa falando sobre a adoção de bebês por homossexuais, sendo a mais controversa. E alguns comentários negativos me causaram um certo espanto, porque vieram de pessoas ditas esclarecidas outras assumidamente gays. Outras, de pessoas que nem esperava, tiveram uma abordagem positiva.
Uns dois ou três anos atrás, em uma empresa que infelizmente fechou, estava numa noite, trabalhando junto com peruanos.Como naquele momento eu era o único brasileiro que estava ao lado deles, fiquei quieto só ouvindo a conversa (aquele era um período meio tenebroso, onde havia uma divisão não declarada , brasileiros trabalhando de um lado e peruanos de outro), e não sei como a conversa chegou, mas lembro que um deles, o Juan, estava explicando (pois tinha lido no jornal )aos outros colegas uma lei que regulamentava a união civil homossexual.Mas estavam zombando, fazendo graça do casamento de dois maricões (termo vulgarmente utilizado , como se fosse bicha ao português) e o Juan estava explicando ao Arthur e ao Chavier, que não era casamento ao pé da letra, e sim uma união civil , um contrato perante a lei, para um casal homossexual , sejam dois homens, duas mulheres, com um período longo de convivência, que morassem juntos.Esse contrato era uma forma de garantir caso um dos dois parceiros morressem , o outro teria direito a herança , ou melhor a tudo que compraram no período que estiveram e conviveram juntos.Já que, perante a lei, os dois, não são um casal, e se por acaso um dos morrem, os bens do falecidos provavelmente iriam para a família ou um parente de sangue mais próximo. E o parceiro (a) não ficaria com nada que adquiriu com tanto sacrifício e batalha durante anos , pois poderia passar por um aventureiro apenas.Outro ponto que o Juan estava explicando, que nessa mesma lei, seria permitido casais homossexuais adotarem crianças, ou bebês,lógico, passando por toda a prova e seleção que um casal hétero teria.
Para o meu espanto os três foram favoráveis a união , mas quando a questão era adoção eram veemente contra.Lembro mais ou menos o diálogo:
-Se um homem um mulher quer deixar seus bens quer deixar pro outro tudo bem é problema deles, é de foro íntimo deles, mas adotar um bebê?Que educação eles poderiam dar?Já pensou , uma criança crescendo com dois homens?Como iriam chamá-los? De os dois de mamãe?Ou de papai que seja, mas como explicariam a não presença de outro sexo? E essa criança, como vai ser a cabeça dela, vai se tornar um maricão também?
Lembro que a única coisa que comentei e abri a boca, isso porque eles perguntaram , porque eu ia ficar de boca fechada já que era um períodos que estava declarado essas panelinhas ridículas , foi que disse: ¨Não entendi o medo, de a criança ser gay pela fato dos pais serem, pela influência? Porque que eu saiba os gays nascidos de pais bilógicos são héteros, portanto a infuência de ser ou não ser não é dos pais.¨--sei que o argumento não convenceu, e aí começaram a caçoar de mim.
Aí dando um salto de dois, três anos no tempo , tem essa pesquisa, onde a maioria da população é contra.Até aí tudo bem, já esperava, mas o que estranhei foi justamente de pessoas que conheço, com uma bagagem cultural e intelectual esclarecida , serem contra, usando esse mesmo argumento ou até mais fracos.Um e-mail de um homossexual do Rio de Janeiro (esses e-mails não citarei nomes por razões óbvias) estava assim: ¨...... acho certo um gay criar uma criança, mas dois não, senão como vai ser a cabeça dela?¨
Eu, sinceramente não entendo, gay, do Rio de Janeiro, uma das cidades brasileiras onde se tem uma vida gay e uma liberdade (lógico, não estou de forma nenhuma dizendo que no Rio não há preconceito), que não há em outras cidades do interior, ou mesmo Estados brasileiros não tão avançados assim, soltar essa frase?
Sou conservador, mas temos que nos adaptar a realidade e o mundo evolui (não parece mas sim, evolui) rapidamente e temos que rever conceitos e pré-conceitos.Ouvindo outro dia o programa da Rosely Sayão , ela falou algo que o André Fisher escreveu tempos atrás, quando ele tinha uma coluna na Revista da Folha.No mundo de hoje, existem cada vez mais vários tipos de família. E para ter uma criança, não precisamos necessariamente ser do nosso sangue, há a inseminação artificial, pode-se adotar, a chamada produção independente.O conceito de família não é mais como nos anos 50, 60, nem 70.... e valores antigos são derrubados e outros são agregados com o sinal dos tempos.
Ultimamente, por razões pessoais, tenho assistido muito filmes que discutem o descobrimento de filhos ou pais.
Um foi O Maior Amor do Mundo, onde o personagem principal, interpretado pelo José Wilker, descobre que tem uma doença fatal, e tem pouco tempo de vida.Sabendo que é filho adotado, quer saber sua origem, dos seus pais biológicos, da sua mãe.Um filme que fala do filho, com mais de 50 anos, procurando sua mãe.
Outro filme que assisti, foi o Transamérica, onde um transsexual, está próximo de fazer uma cirurgia de troca de sexo, descobre que tem um filho de 17 anos que é na verdade um garoto de programa.O personagem tem uma semana (tempo para a cirurgia) de convivência com o rapaz, um processo de aprendizado de como ser um pai, como contar ao garoto que é o seu pai.Um filme que fala do (e aprendendo a ser) pai procurando o seu filho .
Enfim, coisas do melhor do mundo atual, desse admirável moderno mas conservador mundo...

5 comentários:

Inacio disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Inacio disse...

Amado amigo,
Não me agrada a situação que alguns de nossos contemporâneos defendem, de que os homossexuais, são seres de outro mundo e portanto dignos de uma atenção exacerbada. Incrível, perceber que assunto como adoção ganha uma projeção mundial, quando é solicitada por gays. Estamos avançando tecnologicamente, as relações hoje virtualizadas é um reflexo disso, no entanto, ficamos presos a padrões fortemente arraigados num passado que não mais existe, mas insistimos em revivê-lo. Acredito que urge a necessidade de romper com conceitos, criar novos paradigmas, para que a humanidade, não perca a condição humana. Sou a favor da vida feliz, harmônica, sem medo de ser o que sou. Esta utopia deveria ser o nosso lema.

Daniel disse...

Inácio, putz que saudades!!Só explicando, que pra mim, cada um tem o direito de ter qualquer tipo de opinião, , mas o que eu quis dizer é que não entendia um gay assumido, carioca (supostamente uma grande metrópole) fazer um discurso como se fosse uma beata.Isso me lembra o Clodovil na Câmara atacando a comunidade gay e as outras diversidades, as mulheres por exemplo.Bom, pra falar a verdade, e sendo sincero [´é que não esperava esse tipo de comentário da pessoa que mandou....achava ela tinha uma outra linha de pensamento, mas enfim.... democracia é isso, respeitar....
Mas pôxa.... que bom receber um c comentário seu, vc é uma das pessoas que considero, e tenho o maior respeito....faz um trabalho profissional respeitável, e é um ser humano digno da palavra...

Inacio disse...

Fiquei feliz em reatar o nosso contato, agora lerei sempre o seu blog, até coragem de criar o meu.
Beijão

Roberto disse...

Voce eh conservador onde, Daniel? Vc nao eh nenhum pouco conservador, rapaz... Bem, essa questao da adocao vai dar muito pano pra manga. E enquanto ha gente se questionando sobre o que eh de foro intimo ou nao, ha criancas na rua, crescendo sem amor da familia. E casais heterossexuais que deviam ser esterilizados temporariamente porque nao tem a minima maturidade para serem pais. Basta ir numa das escolas brasileiras aqui no JApao para ver como as criancas daqui sao criadas por suas familias straight. Porem, nao se pode generalizar. Ha bons e maus pais e creio que a orientacao sexual nao conta nesse lado. No mais, ontem assisti e cobri como reporter a cerimonia de casamento da ex-deputada japonesa Otsuji Kanako.