terça-feira, 4 de setembro de 2007

3o Festival de Cinema Brasil em Tokyo



Está dada a largada: a partir do dia 05 de Setembro começa a 3a edição do Festival Cinema Brasil em Tokyo. Do dia 05 até o dia 09 a capital japonesa estará exibindo 6 pacotes de filmes entre longas e curtas, além de clips brasileiros.
Cada pacote contem um longa, um curta e um clip.
Diferente da Mostra de Cinema Brasileiro ABN-ANRO Bank, que é uma mostra itinerante, para locais de maior concentração de brasileiros, Tokyo não é uma cidade com grande números de brasileiros, e talvez esse seja um dos méritos do festival, porque além do próprio, dá oportunidade para outros estrangeiros e japoneses assistirem um pouco do cinema tupiniquim. Infelizmente , a mostra se dará no mesmo final de semana que o Festival Brasil, nos dias 08 e 09 em Shibuiya .Mas isso não tira o mérito do festival cinematográfico pois quem é cinéfilo com certeza vai comparecer.
Outro ponto positivo é a diversificação dos filmes, pra todos os gostos, desde populares, como é o caso de Zuzu Angel (o filme não foi um estouro de bilheteria, aliás esse ano, com exceção de A grande família, o filme, nenhum outro filme foi um grande estouro de bilheteria;mas quis dizer popular porque a estrutura dramática é basicamente televisiva.
Copacabana, de Carla Camurati, é uma comédia dramática com Marco Nanini no papel principal, contando a história do bairro desde os seus áureos tempos, até a fase decadente que encontra nos dias de hoje.Parabéns pela Carla por reunir atores veteranos como Myriam Pires, Renata Fronzi, a grande Laura Cardoso , além do travesti Rogéria.Não é um grande filme mas , melhor do que o seu Irma Vap, mas o filme vale pelo elenco e tentar mostrar uma Copacabana que só agora os autores telenovelas resolveram mostrar, e nem por isso deixa de ser o grande bairro que um dia foi.
A máquina, o combustível do amor, foi escrita e dirigida por João Falcão, que é da mesma turma que o Guel Arraes e Jorge Furtado, portanto sinonimo de criatividade.Na verdade o filme foi baseado na peça homônima do mesmo autor, sucesso de público e crítica, e no filme estão Mariana Ximenez, Paulo Autran e Gustavo Falcão, dando um show de interpretação. João Falcão, é de longe um dos melhores diretores da atualidades e consegue criar em seus filmes toda uma estrutura cinematográfica, sem a gente lembrar que estamos num palco de teatro.
´Mas talvez o grande achado do Festival seja o filme O Céu de Suely, do diretor Karim Ainouz, o mesmo que dirigiu o cult Madame Satã, com Lázaro Ramos mostrando todo o seu talento, antes mesmo dele estourar na telinha global.Dessa vez a descoberta do diretor é a atriz Hermília Guedes.O filme fala sobre uma jovem de 21 anos, que trocou sua cidade natal Iguatu, interior do Ceará, pela capital paulistana.Mas depois de ter um filho, ela resolve voltar a cidade natal com seu marido, porém, na última hora, o marido desaparece e ela é obrigada a rever todos os seus planos, decidindo então, rifar seu corpo em Iguatu e assim, com o dinheiro começar uma vida nova.
O festival já vale pelo Céu de Suely e A Máquina, mas além desses quatro mencionados, tem têm Serras da Desordem, de Andrea Tonacci, e o infanto-juvenil A Ilha do Terrível Rapaterra, de Ariane Porto. Como não assisti os dois, não posso dar muito detalhes....
Mais uma vez estarei presente para assistir um dos filmes, lembrando que mesma uma metrópole como Tokyo, é difícil ver uma cinematografia como o Brasil, e que, muitos nihondins ainda pensam que Brasil é sinônimo de carnaval ou futebol, ou pior, a mídia se encarrega de mostrar noticiários de crimes cometidos pelos brasileiros aqui no Japão.Uma boa chance de provar que o Brasil não é só isso, pelo contrário....