quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Haru to Natsu

NHK é a emissora pública de TV e rádio do Japão. Em 2005, em comemoração aos seus 80 anos de existência, ela produziu a minissérie Haru to Natsu (em cima a propaganda da emissora anunciando a estréia,que ocorreu em 02 de outubro de 2005 as 9 horas da noite), traduzido em português como Haru e Natsu, as cartas que não chegaram: ¨Queríamos algo grande. E por que não a emigração? A maioria dos japoneses desconhece a história da emigração ao Brasil¨explica Yasuhiko Abe, um dos produtores da minissérie. ¨Ao descrever o Brasil, estamos mostrando o Japão. Mesmo mostrando o passado, estamos mostrando o presente¨, raciocina. Uma alusão ao fato de no passado os japoneses terem ido ao Brasil em busca do sonho do rápido enriquecimento, passando por mil dificuldades, a começar pela barreira da língua, e, hoje, ocorre o mesmo com os brasileiros que saem do país e vem ao Japão passando pelos mesmo sacrifícios. Sugako Hashida foi a escolha da autora da trama. Com mais de 80 anos atualmente, ela é a autora de novelas de mais prestígio no país do sol nascente. Ela é como se fosse a Janete Clair para os brasileiros mais velhos, ou alguém de ponta da atualidade como Manoel Carlos (que olha que não é nenhum iniciante) ou Silvio de Abreu. A escritora conheceu o nosso país , e durante sua passagem , revelou seu desejo de falar sobre a imigração japonesa.


A história da imigração japonesa no país é cheia de obstáculos. Atraídos pelo sonho de uma vida melhor, esses imigrantes tiveram de aprender a conviver com uma cultura totalmente diferente da sua e superar várias dificuldades, sobretudo, o preconceito.

A vinda de imigrantes japoneses para o Brasil foi motivada por interesses dos dois países: o Brasil necessitava de mão-de-obra para trabalhar nas fazendas de café, principalmente em São Paulo e no norte do Paraná, e o Japão precisava aliviar a tensão social no país, causada por seu alto índice demográfico. Para conseguir isso, o governo japonês adotou uma política de emigração desde o princípio de sua modernização, iniciada na era Meiji (1868).

Apesar de não serem favoráveis à imigração, em 1906, os governos do Japão e do Estado de São Paulo levaram adiante esse processo
Os primeiros japoneses chegaram ao Brasil em 1908, a bordo do navio Kasato Maru. Atraída por uma campanha do governo japonês, que prometia terra farta e fértil, cerca de 190.000 embarcaram no primeiro ano, sendo que o pico da emigração ocorreu entre 1925 e 1936, justamente na crise do café. Uma minoria conseguiu fazer fortuna na terra estrangeira e voltar ao país , apesar do salário irrisório. Frustrados com a pouca renda nas lavouras, muitos japoneses sairam de São Paulo e foram em outros estados formando colônias de nikkeis, termo para designar o descendente de japonês. Com os rumos da 2a Guerra Mundial, em 1937, um decreto do governo japonês ordenou o fechamento de escolas, publicações ou mesmo reuniões de japoneses, já que o Japão passou para o campo inimigo. Após a guerra, os colonos se dividiram em ¨Kachigumi¨ e ¨Makegumi¨, isto é, aqueles que não aceitaram a derrota na guerra e aqueles que aceitaram a realidade.
É nesse contexto que ocorre a minissérie. Haru e Natsu (ao lado , a capa do livro que foi traduzido para o português, devido ao sucesso da novela) são duas irmãs que, por obra do destino, foram separadas quando crianças, seguiram caminhos diferentes e, embora as duas tentassem comunicação através de cartas, elas por um motivo ou outro, elas nunca chegam. O Japão vivia uma crise econômica terrível, e a família das meninas, que viviam na província de Hokaido, por influência da propaganda do governo japonês resolve ir para o Brasil, sem ao menos saber nada do país. Mas o destino é cruel, e um exame médico detecta um problema de vista em Natsu, a filha mais nova, e as duas se separam no navio, no momento do embarque. Haru vai com a família ao Brasil, enquanto que Natsu fica no Japão. Haru, embora estivesse com a família, passou a dificuldade de milhares de japoneses, em plantações de café, verduras, em um país estranho e totalmente diferente de sua realidade, ao mesmo tempo se adaptando aos novos tempos. Natsu, por instinto de sobrevivência, embora estivesse em seu país, virou uma empresária de sucesso passando fome, várias humilhações e, mesmo tendo sucesso profissional, sempre sentiu solidão. Apesar da distância, uma irmã nunca esqueceu da outra, passaram a escrever carta, uma mandando para o Brasil , outra para o Japão, mas por um motivo ou outro, essas cartas não chegaram ao seu destino. As irmãs só foram se reencontrar 70 anos depois, Haru, após muita dificuldade, conseguiu economizar dinheiro e resolve ver a irmã, mas Natsu não a aceita, pois se sentiu abandonada pela família, ou como ela mesma diz, ela foi ¨jogada fora¨.
Em comemoração ao centenário da imigração japonesa, a Band anuncia Haru e Natsu, as cartas que nunca chegaram para o dia 25 de fevereiro no Brasil. Segundo o diretor da minissérie , Mineyo Sato, 35% das cenas foram gravadas em São Paulo - Campinas, Santos, Mairiporã, Atibaia serviram de cenário, o restante foi rodado em Hokaido e poucas cenas em Tokyo. Dez atores brasileiros descendentes de japoneses foram escolhidos, além de figurantes brasileiros. Ao lado, a foto de Yonekura Rioko, que interpreta Haru dos 16 até os 55 anos, ela é uma das atrizes de mais prestígio no Japão, estrelou várias novelas e alguns filmes no currículo. Não sei se a Band vai apresentar a minissérie dublada ou legendada, mas caso for legendada, vamos perceber o sotaque dos atores japoneses, tentando falar português. Isso fica nítido logo no início do primeiro capítulo, onde o neto de Haru, fica impressionado com a mansão de Natsu e ele exclama: ¨Nossa que casa grande!¨, com um sotaque carregado, e quase não podemos entender o português que ele tenta falar. A história é carregada no drama, alguns irão achar que mais parece um dramalhão mexicano, mas quem viveu a história, os japoneses vivos que ainda são dessa época, reconhece o sofrimento do drama. Minha mãe, uma japonesa legítima, com certeza vai se emocionar , se identificar . Esse post dedico a ela e a todos os japoneses que foram ao Brasil, e aos brasileiros que vieram aqui no Japão, no final, como diz o jornalista Roberto Maxwell, todos (independente de serem ou não descendente) passam a se sentir dentro ou fora. É a identificação, todos estamos em busca da nossa identidade.


PS: o signatário desse blog está orgulhoso e quer agradecer publicamente o jornalista Luis Nassif pelo destaque do meu comentário em seu blog, luisnassif.ig.com.br. Quem quiser ver, só acessar

aqui

11 comentários:

Claudio Urayama disse...

Obrigado pelo comentário no meu blog, Daniel. Vejo que você também tem interesse em escrever sobre as coisas que acontecem no Japão. Mas, convenhamos, não é nada fácil manter um blog com a rotina de dekassegui, né? rs.

Sou de Adachi-ku, Tokyo, onde moro há 8 anos.

Abraços!

Raphael disse...

O Brasil é um dos paises culturamente mais ricos do mundo, somos uma mistura de todas as raças, inclusive a oriental. Valeu por ter passado no meu blog, volte sempre, abraço.

Saulo disse...

rsrs.. será que eu vou entender?

rsrs.. brincadeira.. meu amigo... todo um suspense no caçador de pipas.. mas ainda verei..

Vc mora no meu coração!

Ainda não esqueci do Bis.. rsrsrs

Fica com Deus querido amigo!

vc é muito importante pra mim.

chucruteslandia disse...

Oi, Daniel,
Sobre seu comentario no post do carnaval alemao, voce esta completamente certo!!!
Eles soriem, brincam, dancam e cantam, mas sempre com organizacao e precisao.
Acho que eles teriam um infarto vendo a muvuca do povo no carnaval de Salvador, correndo e pulando enlouquecidamente atras dos trios eletricos! :)
Abraco,
Marcelo.

André San disse...

Olá Daniel, tudo bem? Agradeço os comentários no TELE-VISÃO. Desculpe não ter retribuido a visita antes, meu PC tava meio capenga. Prometo vir mais vezes. Gostei muito deste texto sobre Haru to Natsu. Gostaria de ver a minissérie, mas não sei se vai dar. É que ela vai entrar quase no mesmo horário de Queridos Amigos e eu só posso gravar um dos programas, porque faço faculdade à noite. Hehehe... Veremos como resolver a questão! Grande abraço!
www.tele-visao.zip.net

Eterno Noveleiro disse...

Olá, Daniel! Agradeço as visitas ao meu blog e venho retribuí-las. Sua matéria de Haru e Natsu ficou excelente. Quanto a sua pergunta, infelizmente ainda não posso respondê-la. Mas ficarei atento aos intervalos da Band para ver se, por alguma chamada, já possa notar se Haru e Natsu será dublada ou não. Mas acredito que seja, sim. De qualquer forma, estou de olho. Um abraço e até mais!

FABIOTV disse...

Olá, tudo bem? A Band acertou ao apsotar nesta minissérie... A comemoração dos 100 anos da imigração japonesa é um marco muito importante.. Abraços, Fabio

Kamui disse...

Adoro a abertura da novela, não entendo nada, mas fico na admiração...Enfim, tenho uma pontinha de inveja dos japoneses, mas ao mesmo tempo fico meio impressionado, sei lá...!

rsrs

Anônimo disse...
Esta postagem foi removida pelo administrador do blog.
Eri disse...

Daniel, adorei o post! Eu ainda não assisti a Haru to Natsu e, se não fosse por você, nem saberia que vai passar na Band! Lembro que na época das gravações eu estava no Japão... Dá uma saudaaade ^^

By the way, eu sou carioca, sim.

Beijosss ^^

Paulo disse...

Olá Daniel! Por fim retribuindo sua visita!
Gostei do seu blog, voltarei mais vezes.
Não assisti à minissérie, mas fiquei bastante interessado depois do seu post.

Ah! E respondendo sua pergunta, eu não irei deixar o Blogger, irei criar um novo blog, no MySpace, em inglês. Mas o Plurality continuará funcionando normalmente.

Abraços!