segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

(薔薇のない花屋)""Bara no nai Hanaya"


Uma das razões para o japonês ser visto como um povo consumista (e é de um certo modo um paradoxo, porque a década de 90 e até meados dos anos 2000 o Japão viveu uma forte deflação, justamente porque consumo interno não foi suficiente para ativar a economia) é que aqui , os produtos são planejados para serem lançados nas estações. Exemplo, a Pepsi lançou no verão passado a Pepsi de pepino (estranho não rs?) , com aroma de pepino, e por incrível e mais exótico que possa parecer, foi um sucesso estrondoso. Mas passado o verão, o produto desapareceu.
Não é diferente na programação de tv, nas novelas. Na metade do mês estrearam na tv aberta, várias novelas em busca de pontinhos na audiência. Uma diferença em relação as novelas do continente americano, é que aqui, além de durarem apenas três meses, são semanais. Portanto, são poucas tramas para serem acompanhados dentro de uma mesma história, muitas vezes apenas a trama central, e poucos personagens, em comparação a uma novela do Manoel Carlos, que na última teve algo em volta de cem personagens.
Estreou no dia 14 de janeiro, na TV Fuji (a primeira tv aberta em audiência) a novela
Bara no nai hanaya, ou, em tradução livre, Floricultura sem rosas, segundo o blog serori. A história gira em torno de Shiomi Eiji, que é forçado a ser único pai, e cuidar de sua filha, Shizuku, desde o seu nascimento, pois sua esposa falece. Ele guarda um vídeo de sua esposa, dizendo que adora flores e abre uma floricultura. Desolado desde a morte de sua amada, ele só vive para o trabalho e sua filha, sua única alegria. Mas Shizuku começa a agir estranho escondendo seu rosto, colocando um saco sobre ele, quando está em volta de outras pessoas. Em um dia de forte chuva, depois de abrir a floricultura vê uma mulher cega próxima a porta da loja. Ele a convida para entrar no interior da floricultura até que a chuva passe. Seu primeiro gesto foi recusar o convite, mas depois de sentir a sinceridade das palavras de Eiji, aceita e entra. Na verdade ela é uma enfermeira que finge ser uma cega contratada para seduzir o pai de Shizuku. Eles se tornam amigos, e a partir daí, ela passa a depender da bondade e sinceridade de Eiji. Na noite seguinte, ele vê a suposta cega no meio rua, no meio de um tráfego. Depois de resgatá-la, e os dois ficam abraçados no meio da rua, ele sente que o frio do inverno que vive o seu coração desde a morte de sua amada está derretendo lentamente....
A novela tem como protagonistas os atores Shingo Katori no papel de Eiji, e depois de muito tempo afastada das novelas a atriz Takeuchi Yuuko, direção de Nakae Isamu, com roteiro do prestigiado autor Nojima Shinji. A grande e agradável surpresa é a atuação do Shingo, fazendo um papel sério, contido. A novela tem tido boa audiência, agradando o público e a crítica tem sido boa. Boa pedida para esse inverno rigoroso...

domingo, 20 de janeiro de 2008

O Caçador de Pipas





O Caçador de Pipas



Em primeiro lugar queria agradecer aos meus amigos Ciro e Cássia. Em 2006,cada um me mandou um livro de presente de aniversário. Mas só li os livros no ano seguinte. E foi importante para mim, porque através deles, voltei ao prazer da leitura literária, não apenas jornais, revistas, hqs, mangas, rs. Entre os livros que li, o que mais me perturbou, foi Budapeste, de Chico Buarque, que pretendo abordar em algum post.
Mas foi no final do ano passado que comecei a ler O caçador de pipas, de Khaled Hosseini. Confesso que no início houve um preconceito da minha parte. Em parte por ser um best-seller, e é realmente bobagem e preconceito porque muitos bons escritores e bons livros não são apenas de conhecimento de alguma elite, ainda bem. Que bom que escritores do nível de um Milan Kundera, Gabriel Garcia Márquez, Chico Buarque, Rubem Fonseca tem uma legião de fãs espalhados por diversos cantos do planeta.
O caçador de pipas apareceu em um momento oportuno, em um mundo pós-atentado de Nova York, as explosões nas torres gêmeas, período que o presidente W George Busch calcou sua administração pelo terrorismo. Boa parte do povo do oriente médio ficou marcada pela mídia como o grande mau do século 21, o Talebã, a religião islâmica, ficou tudo misturado numa salada só com o estigma do terror.
O livro retrata três décadas da história do Afeganistão, dos anos de 1970 até esse início dos anos 2000.No início dos anos 70, ainda era uma monarquia, passou por uma invasão russa, em pleno período de guerra-fria onde ainda havia a União Soviética, e o mundo era dividido entre capitalismo e comunismo , anos 80, com Ronaldo Reagan como presidente dos EUA, até o surgimento no Afeganistão do Talebã, terminando um pouco depois do ataque contra as torres gêmeas.
Mas o livro fala realmente de amizades, culpa, e finalmente , de redenção, em busca de uma segunda chance.
Na verdade, esses acontecimentos históricos são panos de fundo para mostrar a história de Amir , desde a sua infância até perto de completar 40 anos. Amir e Hassan cresceram juntos, apesar de serem de etnias (Amir, da etnia Pashtun, filho de uma família rica, e Hassan, da etnia hazara- considerada uma etnia baixa, inferior- filho do empregado da família de Amir), sociedades e religiões diferentes. O laço que os une é muito forte, pois mamaram do mesmo leito. A primeira palavra que Amir aprendeu , foi baba (pai), a de Hassan, Amir. A partir daí está estabelecido todo o conflito que norteará toda a primeira parte do livro, que mostra a infância de Amir: Amir, dividido entre a amizade e a lealdade de seu amigo puro e ingênuo, Hassan, ao mesmo que tempo que busca o afeto e atenção de seu pai. Mas foi em um campeonato de pipas que o garoto da etnia Pashtun decidiu que seria o vencedor , com isso ter o orgulho e amor de seu pai. Hassan estava disposto a ajudar seu amigo em tal tarefa: ¨Por você , faria isso mil vezes¨ é uma das frases que Hassan costumava usar. Nos campeonatos de pipa os dois formavam uma bela dupla: enquanto Amir sabia empinar com graça e perfeição, era Hassan quem corria e pegava as pipas que caíam .Nesse campeonato , a grande diferença é que os dois foram os grandes vencedores, Amir ao empinar e Hassan foi correndo atrás da pipa azul, a última pipa. Isso custou a Hassan um preço muito alto, Amir presenciou , mas não fez nada para impedir tal acontecimento trágico. A partir daí , Amir carrega a culpa de não ter ajudado seu melhor amigo. Culpa tamanha, que fez com que armasse um plano para Hassan e seu pai fossem embora de sua casa.
Os anos se passaram e a história pula pros anos 80, Amir e seu pai foram obrigados a fugir do Afeganistão devido à invasão russa, foram viver como imigrantes nos EUA. Era o período da guerra fria onde os Estados Unidos mergulhavam no mais profundo conservadorismo moral e recessão econômica. Para Amir, uma chance de mudar de vida, esquecer o passado.

O livro começa no início dos anos 2000, Amir com 38 anos, formado na sua profissão de escritor , casado. Recebe um telefonema que faz com que tenha que voltar ao Afeganistão, simbolizando uma chance de se redimir do passado em busca do perdão.
Quando comecei a ler o livro, não sabia que se transformaria em longa-metragem.
O filme estreou no Brasil no último dia 18, com boas críticas.
Há diferenças: o livro é narrado na primeira pessoa, através do personagem Amir, e o filme é tratado de forma impessoal. A infância do garoto é passada rápida e falta a cumplicidade entre o narrador e quem assiste. Mas o diretor Marc Foster (¨A ceia¨, ¨Em busca da terra do nunca¨) soube preservar o essencial do livro.
Embaixo trechos de algumas críticas para quem se interessar em assistir ao filme







17 de janeiro de 2008, 10:31 | Estadão Online

Nas telas, 'O Caçador de Pipas' mantém moral do livro
Dirigido por Marc Forster, longa preserva mensagem de que sempre há uma segunda chance para todos
Alysson Oliveira, da Reuters
Tamanho do texto? A

Divulgação
Cena de 'O Caçador de Pipas'
SÃO PAULO - Sucesso editorial no mundo inteiro, O Caçador de Pipas, do afegão Khaled Hosseini, não demorou a chegar às telas do cinema, mantendo os ingredientes que agradaram a milhões de leitores de todas as nacionalidades, como o exotismo do Afeganistão, a luta contra a adversidade e a culpa e, finalmente, a redenção.

Veja também:
Trailer de 'O Caçador de Pipas'

Dirigido por Marc Forster (A Última Ceia) a partir de um roteiro de David Benioff (Tróia), o filme reduz ao máximo as nuances existentes no livro original, porém preserva a mensagem de que não importa o que uma pessoa tenha feito no passado, sempre há uma segunda chance.......




18/01/2008 - 08h50
Diretor recria universo literário com respeito
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SÉRGIO RIZZO
do Guia da Folha
Enquanto o recente "O Amor nos Tempos do Cólera" demonstra como as escolhas
s que levam a uma adaptação literária podem ser infelizes, "O Caçador de Pipas" aponta para um caminho mais bem-sucedido, ainda que conservador. À maneira de outras transposições com boa resposta nas bilheterias, o diretor Marc Forster ("Em Busca da Terra do Nunca" e "Mais Estranho que a Ficção") conduz um projeto comportado que, em linhas gerais, procura respeitar as coordenadas do original (desenvolvimento da trama, caracterização de personagens e cenários)........


Versão para o cinema de 'O caçador de pipas' agrada quem leu o livro. Leiam críticas
Publicada em 18/01/2008 às 09h43m
O Globo Online

RIO - Um dos filmes mais esperados deste início de 2008, "O caçador de pipas" (veja o trailer) , baseado no best-seller do afegão Khaled Hosseini, chegou nesta sexta-feira aos cinemas brasileiros (confira outras estréias) . Para conferir o badalado lançamento, O GLOBO ONLINE mandou dois repórteres fãs do livro verem o filme, dirigido por Marc Forster ("A Última Ceia") a partir de um roteiro de David Benioff ("Tróia"), e escreverem suas impressões.
Para o jornalista Jamari França, os milhões de leitores do romance podem encarar o filme sem medo. Segundo ele, o essencial do livro passado no Afeganistão está lá, e diretor recrutou um elenco afinado com a história
Já para a repórter Luísa Valle, o início do filme pode causar um pouco de estranheza para quem leu o livro pela rapidez com que a infância das duas crianças no Afeganistão, assim como a mudança no relacionamento delas, é retratada. De acordo com ela, apesar de todos os fatos essenciais para que a trama seja compreendida estejam lá, a sensação da falta de um narrador ou de uma interação maior entre os personagens para que os conflitos sejam mais aparentes é inevitável. Apesar disso, Luísa acredita que quem leu o romance vai gostar do filme.

14 de janeiro de 2008
Portal Cinegospel
"O caçador de pipas" é um filme para adultos, com temas que vão do abuso sexual infantil a atrocidades de guerra, passando pelo sistema ultraortodoxo islâmico do Talebã. Mas o que mais pesa na balança é a discussão sobre amizade e a profundidade da trama, digna de palmas numa época em que a carência de boas histórias é suprida com efeitos especiais em profusão. O filme mostra que o perdão e a possibilidade de mudanças são não só possíveis no mundo de hoje, mas algo que engrandece o ser humano e o aproxima do ideal de comportamento que Deus traçou para nós.
Moralmente, o longa-metragem é impecável. Embora a cena do estupro possa causar um grande mal-estar, é essencial para a construção do todo. Deixar de assistir a este filme é perder uma grande oportunidade de desfrutar daquilo que o cinema tem de melhor.
Maurício Zágari Tupinambá
Equipe CINEGOSPE

sábado, 12 de janeiro de 2008

Pelo olho da fechadura


Japão


Publicado em 12/1/2008 20:04:30

Aumenta a desigualdade social no Japão

O Japão, antes um dos países industrializados mais igualitários do mundo, está perdendo terreno

Tokyo - Efe
O abismo que se abre é cada vez mais perceptível nas ruas ( )
O abismo que se abre é cada vez mais perceptível nas ruas




As reformas econômicas e a redução dos tradicionais contratos vitalícios estão criando uma fissura na sociedade japonesa, com os assalariados vendo a sua segurança ameaçada enquanto prolifera uma exclusiva elite de novos ricos.

Enquanto a família média se mostra mais reticente a gastar, o mercado de luxo vive um "boom" semelhante ao do fim dos anos 80, pouco antes da explosão da bolha econômica.

O Japão, antes um dos países industrializados mais igualitários do mundo, está perdendo terreno. O seu índice Gini, termômetro da disparidade social, em que o 0 equivale à igualdade absoluta e o 1 à desigualdade total, aumentou de 0,249 para 0,314 entre 1993 e 2002, segundo os dados das Nações Unidas e da CIA.

As estatísticas do Governo japonês mostram que o consumo doméstico há meses vem se enfraquecendo, com crescimentos anualizados tímidos. O indicador chegou a registrar quedas, como a de novembro. Assim, o Japão não consegue afastar completamente a sombra da deflação.

A taxa de poupança dos japoneses, conhecida por ser uma das mais altas do mundo, vem caindo. Em 2006, o último ano do qual o Executivo tem dados, o índice alcançou seu mínimo histórico: 3,2% da renda disponível, dois terços a menos que em 1997.

Do outro lado estão as deslumbrantes avenidas de Ginza, o distrito do luxo em Tokyo. Grandes marcas mundiais, como Armani, Bulgari e Gucci, aproveitaram 2007 para inaugurar suas novas lojas na região.

No verão, quando foi inaugurado o novo edifício de dez andares de Giorgio Armani, havia fila na porta várias horas antes da abertura.

O centro conta com lojas da marca italiana e até um "spa". Marcas como Louis Vuitton, Bulgari, Gucci, Burberry e Hermès, todas presentes em Ginza, obtêm pelo menos um quarto de seus lucros no Japão, o maior mercado de luxo do mundo, segundo a Organização de Comércio Exterior do Japão.

Os mais prestigiosos hotéis de Tokyo continuam acrescentando à sua lista de serviços as mais originais e caras excentricidades. O Ritz-Carlton oferece um coquetel de Martini com um diamante, ao preço de ¥ 1,8 milhão (US$ 16.365). A suíte natalina do Mandarin Oriental custava ¥ 14 milhões (US$ 127.270 dólares) a noite, incluindo um pinheiro carregado de jóias.

A origem desta crescente polarização social se encontra na liberalização econômica dos anos 90, a "década perdida" japonesa.

A partir de então, graças à nova regulação, muitas empresas optaram pelos contratos temporários para as novas contratações. Era o fim dos tradicionais acordos trabalhistas vitalícios, que estabeleciam uma estreita relação entre as companhias e seus trabalhadores assalariados.

Antes, as empresas japonesas garantiam aos empregados a continuidade na companhia durante toda sua vida profissional, evitando cortes na força de trabalho apesar de recessões e dificuldades. Além disso, os trabalhadores contavam com suculentas aposentadorias, em troca de intermináveis jornadas de trabalho e lealdade absoluta.

Mas a relação quase paternal vem se diluindo nos últimos tempos.

Os contratos temporários, que há duas décadas não chegavam a 20% do total, hoje superam os 30%. Já os permanentes caíram de 80% para 65%, segundo o Ministério de Assuntos Internos.

Ao mesmo tempo, o número de ricos não pára de crescer. Em 2006, no Japão havia 1,5 milhão de pessoas com mais de US$ 1 milhão, quase 16% dos milionários de todo o mundo.

O setor automobilístico é um dos melhores espelhos da crescente divisão na sociedade japonesa. As vendas em 2007 registraram seu pior desempenho nos últimos 35 anos. Mas algumas marcas de luxo estrangeiras, como Porsche e Ferrari, venderam até 15% a mais que no ano anterior, segundo a Associação de Importadores de Automóveis do Japão.



reportagem publicado no site ipcdigital.com,de 12 de janeiro de 2008.





O Japão vive um dilema.Em meados dos anos 2000, o país timidamente sai deflação, mas o Banco Central japonês insiste em deixar os juros em 0,50, mas 2007 foi o ano que os preços dispararam.A gasolina que no início do ano era abaixo de 100 yenes, agora custa mais do que 150 yenes. O pão, tarifa de táxi, cerveja, arroz (alimento sagrado para o povo japonês)também subiram de preço ano passado depois de muitos anos com o mesmo valor.O preço dos alugueis de imóveis e terrenos da região de Tokyo estão se valorizando.Por outro lado, a xenofobia , o crescimento do preconceito por boa parte da população japonesa contra os imigrantes, principalmente os latinos-americanos, onde a comunidade brasileira ocupa uma desonrosa visão na mídia quase sempre aparecendo em noticiários de violência e policial, onde muitos jovens brasileiros são presos por furtos , até em atitudes aparentemente simples que o brasileiro ainda não assimilou que fazem parte do cotidiano japonês como separar os lixos.

Como explica a reportagem publicada no site do IPC mais esses dados que mencionei, depois de muitos anos de deflação, o Japão vive o dilema de abrir mais o mercado , deixando a inflação ocorrer, num dos poucos países industrializados onde havia e ainda há uma forte presença da classe média.Essa classe média tende a se dividir, aumentando a concentração de renda dos mais ricos, e vagarosamente aumentando da pobreza onde, a figura do vagabundo perambulando nas ruas das grandes cidades ainda é um número inferior se comparando a outras metrópoles como Nova York, Paris.

É nesse paradoxo que se encontra o brasileiro residente no Japão, onde a solução mais viável, para não dizer a única, é tentar se integrar na sociedade japonesa, e não viver em guetos. como os japoneses que foram a cem anos atrás para o Brasil, fizeram.No ano de centenário da imigração japonesa ao Brasil, espero que o brasileiro enfrente esse desafio, e mostre o valor dessa comunidade que é a 3a maior em presença estrangeira.

Deixando de apenas de olhar pelo olho da fechadura, vamos abrir a porta do ano e verificar que 2008 está começando com seus desafios, paradoxos e dilemas , espero sinceramente, chegar ao final do ano que parte dessas contradições tenham sido resolvidas.