sábado, 29 de março de 2008

Centenario da Imigracao Japonesa: opinioes e visoes


Esse ano de 2008 fala-se muito no centenário da imigrarão japonesa no Brasil.
No que ela resultara de concreto para os dois países?
Abaixo, visões e opiniões sobre o assunto







kasatô marú e a festa que não começou


O jornal francês Liberation.fr publicou um artigo sobre as comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Os franceses se surpreenderam com o fato de um país celebrar uma imigração e indagaram por que nunca houve esse tipo de comemoração na França. Quem conta melhor é a Maria Lina, do blog Conexão Paris: “Uns indagam porque na França nunca houve comemorações deste tipo. Outros respondem que isto seria impossível visto a tensão existente entre franceses e imigrantes e entre grupos de imigrantes de origens diferentes. Uma comemoração qualquer poderia levantar uma série de manifestações contrárias à entrada e à presença de imigrantes na França, discussões políticas sem fim do tipo porque comemorar este grupo de imigrantes e não um outro”.

É importante dizer que a imigração japonesa só é celebrada porque foi de grande importância para o Brasil. Assim como os italianos e alemães, os japoneses contribuíram para o rápido desenvolvimento de diversos segmentos no século passado, principalmente no setor agrário. Por aqui, as celebrações têm sido tímidas e isoladas, organizadas apenas por grupos de descendentes. Segundo me contaram, no Japão não há qualquer lembrança sobre o Centenário, apenas uma nota da imperatriz Michiko dizendo que estará refletindo sobre a dura vida que japoneses tiveram no Brasil. That’s all, mas eu acho muito pouco. Nem vou de dizer como o Rio está comemorando, a pobreza é tanta que dá até vergonha.21.03.08

Postad0 pelo Alexandre, do blog fugironakombi







Roberto Maxwell, como todo carioca eh um batalhador multi-faceta: formado em professor no Rio de Janeiro, entende bastante de cinema, eh um cineasta-documentarista de grande talento. Seu filme dekassegui samba-extendi mix


apareceu em varios sites ou blogs relacionados sobre o assunto. Faz mestrado em Sociologia na provincia de Shizuoka, trabalha como jornalista para a revista Alternativa. Em seu blog produtos notaveis


fala de uma maneira peculiar da cultura japonesa e como ele mesmo diz, nada matemático. Abaixo, um artigo dele falando da imigracao japonesa no Brasil

Japoneses no Brasil, uma visao historica


Apesar de termos notícias de japoneses habitando o Brasil antes de 1908, foi a chegada do navio japonês Kasato Maru ao porto de Santos que marcou o início da imigração japonesa ao Brasil. A abolição da escravatura, levou a um período de necessidade de mão-de-obra barata nas lavouras brasileiras. Já o Japão passava por uma intensa crise econômica causada pelo alto investimento militar para garantir as mudanças impostas pelo imperador Meiji. Era, portanto, um país com abundância de trabalho e escassez de mão-de-obra e outro à beira do colapso e com excedente populacional. Sendo assim, os acordos entre os dois países começaram a ser discutidos ainda no final do século XIX e em 1892 já era permitida a entrada de japoneses no país. Porém, foram mais de 15 anos para que a primeira leva chegasse trazendo lavradores das regiões mais empobrecidas do Japão que vinham em busca de trabalho temporário com o qual pudessem juntar algum dinheiro e retornar para os seus lares.

Historiadores costumam dividir a imigração japonesa para o Brasil em quatro grandes períodos: 1908 - 1923, quando a grande massa de trabalhadores foi suprir de mão-de-obra as grandes lavouras cafeeiras, principalmente de São Paulo; 1924 - 1941, período no qual os trabalhadores começaram a fazer parte de projetos de colonização, em especial do noroeste do estado de São Paulo e do norte do Paraná; 1941 - 1950, época em que os japoneses já eram numerosos, inclusive em áreas urbanas, e sofreram as consequências da participação do Japão na Segunda Guerra Mundial; e, finalmente, o período de 1951 até os dias atuais, que se caracteriza pela assimilação dos imigrantes na sociedade brasileira e pela formação de colônias em áreas de fronteira agrícola como a Amazônia. Alguns estudiosos ainda destacam como um período independente o chamado movimento dekassegui, que teve seu início no limiar dos anos 90, quando os primeiros brasileiros naturalizados (issei) e descendentes de primeira geração (nissei) partiram para o Japão em busca de trabalho nas indústrias e fugindo da crise econômica brasileira. O texto completo continua/aqui



Kennedy Alencar, 40, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Faz um podcast às quartas. Escreve na Pensata às sextas e na Brasília Online aos domingos. Também é comentarista do telejornal "RedeTVNews", no ar de segunda a sábado às 21h10.Fora isso merece destacar sua coerência e discernimento quando fala de política brasileira, sem duvida nenhuma um grande jornalista. Abaixo um artigo sobre as conseqüências econômicas a partir do centenário Brasil-Japão


9/03/2008

TOSHIBA ABANDONA PROJETO DE SEMICONDUTOR NO BRASIL


KENNEDY ALENCAR
Colunista da Folha Online

Apesar da nova onda de investimentos japoneses no Brasil por ocasião do centenário da imigração oriental, a Toshiba desistiu de instalar no país uma fábrica de semicondutores. Essa fábrica seria uma contrapartida ao padrão de TV digital japonês, escolhido pelo governo Lula em 2006.

A Toshiba chegou a estudar seriamente o projeto, mas o abandonou por falta de mão-de-obra qualificada e de uma cadeia de fornecedores que pudesse sustentar uma fábrica de alta tecnologia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda tinha esperança de instalação desse tipo de indústria.

Mas há notícias boas acompanhando o ano do centenário da imigração japonesa, como a nova onda de investimentos do país do sol nascente. Depois de amargar perdas nos anos 80, sobretudo na época da hiperinflação, empresas japonesas voltaram a incrementar projetos econômicos.

O texto completo voce le

aqui






quinta-feira, 20 de março de 2008

Ficcao: Ciro & Cassia: velha infancia





Ciro & Cassia: velha infância






Maria era uma negra de 19 anos que trabalhava como diarista para uma familia de classe media do Campo Limpo, zona sul de São Paulo. O bairro eh conhecido pelo seu grande contraste social, onde vivem pessoas que moram em favelas, assim como Maria, ao lado de condomínios horizontais de classe media e alta, e tambem algumas familias de classe media media. Fazia dois anos que trabalhava na casa de uma familia com descendência japonesa, os Yamashita. Gostava do ambiente, todos a tratavam bem, o salario nao era la essas coisas. Quando estava para completar 20 anos, um negrao que estava de passagem em Sao Paulo. Amor a primeira vista, ele pediu para ir junto morar no Rio de Janeiro, no morro de uma favela. Aceitou. Explicou sua situacao para os Yamashita, sua patroa disse que tinha uma irma que morava no Rio e ia recomendar seus serviços para a irma. Com um aperto no coracao e dor pois se afeicoara a familia, partiu para o Rio de Janeiro com seu amado. Foi no mesmo dia que Ciro, filho mais novo dos Yamashita, embarcou para o Japao, trabalhar como imigrante brasileiro, os chamados dekasseguis.
Guilherme eh um gay que trabalhava como atendente de telemarketing para uma firma de cosmeticos. Ja tinha feito de tudo, e desistia facil dos empregos que arrumava, e esse ultimo era o unico que estava se mantendo por mais de dois meses. Detestava o serviço, mas gostava de fofocar com sua colega de trabalho, Cassia Patricia Suzuki,uma garota descendente de japonês que morava na Mooca. Gostava de ir em baladas, boates, amante da noite. As vezes , sua amiga ia junto nas baladas gay. Os dois gostavam principalmente da Tunnel, que fica no Bixiga. No mesmo final de semana que conheceu Gustavo, Cassia confessava que era a ultima balada que passavam juntos pois decidiu de repente que ia trabalhar no Japao.
Passado alguns meses na cidade maravilhosa, Maria ja se acostumara a trabalhar na casa da irma de sua ex-patroa, mas sempre sentia saudade de São Paulo, dos antigos patrões, e sempre tinha noticias de como Ciro estava indo no Japão. Apesar de viver numa favela, estava feliz ao lado da pessoa amada. Terminava logo a faxina e ia se aprontar para o marido, para uma transa fervorosa. Gemia, adorava o jeito que aquele negro pegava sua pele, o seu cheiro. Mas também tinha medo do lugar, porque freqüentemente havia tiros de guerras de traficantes, tendo que testemunhar menores de quinze, doze anos pegando em armas, sem ter o direito de viver a infância. Soube pela sua patroa que o garoto Ciro trabalhava numa padaria, no turno da noite. Nao sabia nada de japones, como ele se virava na lingua?-ficava se perguntando. Soube tambem que tinha conhecido uma brasileira chata, do bairro da Mooca.
Guilherme e Gustavo eram completamente diferentes. Guilherme malhava religiosamente todos os dias na academia do centro de São Paulo pelo menos duas horas por dia. Sarado, vaidoso pra caramba. Gustavo era magro, bonito, mas nao era atlético como o namorado, preferia um cinema, teatro, comer algo no Spot, restaurante da Paulista. Para falar a verdade era bem fresco, pelo menos de inicio. Guilherme acha que era esse jeito de metido e fresco do Gustavo que o atraia, lembra que Cassia era assim, pelo menos no inicio, mas quando a conheceu de fundo, viu que de fresca nao tinha nada. Sempre se comunicava com sua amiga via e-mail. Ela estava trabalhando em uma padaria. Foi no Japao ja estudando pelo menos o básico da lingua , mas o que ela vivia reclamando era de um moleque bjrasileiro que tinha conhecido, era do Campo Limpo.
Maria estava cansada. Todo dia a mesma coisa, aquele marido maldito que nao arrumava emprego, soh bebendo. Aquele charme do início que ele tinha, sumiu, agora somente o bafo. Noite maldita. Ele a pega com forca, rasga a blusa, a chama de vadia , puta, ela manda parar, tentando se desgarrar. Embriagado a joga com forca na cama, joga a garrafa que estava segurando, nao ve nada com nitidez, soh Maria. Tira a cinta. Ela implora, hoje nao, por favor, ela cai em cima puxa os cabelos, puxa a calcinha com forca, ela chora, queria gritar, ate que sente aquele penis maldito, furia maldita. Ela avanca, ela grita, ele soca, bate, penetra, goza.Ele eh o rei, o macho, o homem. Maria nao tem mais forcas nem pra chorar, soh sente a dor, o sangue escorrendo do seu rosto. De repente lembrou de sua ex-patroa, falando pelo telefone que sentia falta dela, dizendo ate que o seu filho Ciro la do Japao sentia falta dela. Parece que o Ciro esta se dando bem com aquela garota da Mooca. Ela se chama Patricia, era esse o seu segundo nome.

Guilherme estava aflito ficou sabendo atraves de um amigo seu, que um conhecido, o Luis estava com HIV, a Cida, como eles falavam. Lembrou que conhecia esse Luis. Ficou flertando por uns tempos ate que um dia transaram loucamente. Sem camisinha. Com muito medo foi para um hospital publico e fez o teste de HIV. Se tiver o que acontece, afinal hoje em dia tem muitos remedios as pessoas vivem mais. Puta merda, eu nao poosso ter isso! pensava desesperadamente minutos antes de entrar na sala do consultorio para saber a resposta. Como ia contar para Gustavo? Nao, nao , nao, essa medica maldita deve ter se enganado, ela ainda recomenda uma terapia.

Maria estava em frente a delegacia de mulheres. Nao sabia se entrava ou nao, se denunciava ou nao seu marido. Na delegacia, tinha alguem ouvindo um radio de pilha, era uma musica que o garoto Ciro gostava, dos tribalistas. Pensou... e decidiu se denunciava ou nao seu marido.

A ficha ainda nao tinha caido. Como ia contar . Sera que tinha que contar, e o Gustavo como fica, sera que fala? Sera que ia morrer logo, ou pulava do Viaduto do Cha? De repente lembrou do gosto cinematografico do seu namorado e foi na Paulista assistir um filme. Um filme que sua amiga Cassia tinha recomendado. Chamava-se Velha Infancia. Entrou no cinema sem saber se contava ou nao. E assistiu ao filme.







sexta-feira, 14 de março de 2008

ハチミツとクローバー, Hachimitsu to Kuroobaa, Honey and Clover















Hachimitsu to kuroba (Mel e Leguminosas) mostra a tragetoria de uma historia bem contada.

Ela começou como manga e os leitores brasileiros a conhecem como Honey & Clover
Honey & Clover () é uma série de mangá criada por Chika Umino. Também é conhecido como HachiKuro (ハチクロ, HachiKuro).
Shojo, ou Shôjo, ou Shoujo (do japonês, moça), são animes ou mangás para moças.


Com toda certeza, essa é a definição mais recorrente para anime ou mangás que levam o termo. Mas tem ficado cada vez mais difícil fazer a distinção entre o que é shoujo e o que não é. Não é simplesmente apontar dizendo algo do tipo: história de romance é shoujo e história de porrada/magia é shonen... Se fosse assim, Love Hina seria shoujo e X-TV seria shonen... Digo isso para já vir cortando o barato dos preconceituosos de plantão que ainda insistem em bradar aos sete ventos que shoujos só servem para mulheres. Seria muito bom que perdessem esse tipo de preconceito. Assim, essas pessoas teriam a oportunidade de assistir a um dos animes mais cativantes e tocantes que, atualmente, tive a oportunidade de assistir.

Hachimitsu to Clover também chamado de Honey and Clover ou, simplesmente, Hachikuro, é um shoujo anime baseado em um shoujo mangá no Japão.

Os primeiros 14 capítulos do mangá foram lançados na revista CUTiEcomic da Shueisha, de Junho de 2000 a Julho de 2001. Após isso o mangá passou a ser serializado na revista Young YOU, onde continuou até 2005, e então a série foi para a revista Chorus, onde a série foi finalizado formalmente, em Julho de 2006, com 64 capítulos.

Em 2003, o mangá foi vencedor do 27th Kodansha Manga Award. [1]

Em Abril de 2005, foi ao ar na TV Fuji, a primeira série de anime, com 26 episódios, encerrando em Setembro de 2005.

Também foi produzido uma sequência da série, Honey & Clover II, com 12 episódios, exibidos de Junho de 2006 a Setembro de 2006.

Yuuta Takemoto, Takumi Mayama e Shinobu Morita são três jovens que vivem no mesmo apartamento, e são estudantes numa escola de artes em Tóquio.

Um dia, um dos professores, Shuuji Hanamoto, apresenta a filha de seu primo, Hagumi Hanamoto, que foi morar com ele para estudar artes. Takemoto e Morita logo de ínicio se apaixonam por ela. Morita expressa seu amor assustando ela, e constantemente tirando fotos. Enquanto Takemoto esconde seus sentimentos, e tenta ser amigo de Hagu. A princípio, Hagu era tímida e tinha medo das pessoas, mas gradualmente acaba se tornando uma pessoa mais segura.

O grupo também inclui outra garota, Ayumi Yamada, bastante popular entre os garotos, porém é apaixonada por Mayama.

Infelizmente, Mayama só considera Yamada como sua amiga, e não retribui o seu amor. Mayama é apaixonado por uma mulher mais velha, Rika Harada, dona da empresa Harada Design, que pertencia ao seu falecido marido, que morreu em um acidente de carro. Rika também foi colega de quarto de Shuuji na faculdade.

A história conta a história de todos esses personagens, que aprendem mais sobre si mesmos e seus companheiros.

O título da série, Hachimitsu to Clover, é uma junção dos nomes dos albuns preferidos de Chika Umino: Hachimitsu de Spitz, e Clover de Suga Shikao. Muitas das músicas desse artista são trilhas sonoras do anime. A aparência de Mayama é também baseada em Suga Shikao.

A história da série se passa em uma escola de artes ficcional, baseada na Universidade de Artes Masashino, na cidade de Kodaira, no qual o vocalista do SPITZ foi estudante.
Pessoalmente, acho essencial uma boa trilha em animes. Elas trazem um benefício imenso para o conjunto da obra. E a trilha de Honey and Clover é simplesmente excepcional! Os destaques são muitos mas seria uma baita injustiça não mencionar alguns: A carismática abertura, Dramatic, cantada por Yuki, ex-vocalista de Judy and Mary, que cantava "Sobakasu" de Rurouni Kenshin, é uma delas. Possui uma animação inicialmente sem sentido mas, mesmo assim, simpática e divertida e que, com o passar dos episódios, pode ser compreendida, além do ritmo contagiante. Mas o maior destaque mesmo fica por conta de suas "inserts songs". Essas, sim, merecem todos os tipos de elogio. As músicas que são cantadas pelo grupo Spitz e pelo cantor Suga Shikao variam desde algumas mais melancólicas como Yoru wo Kakeru, Yubikiri, Hakou e a belíssima Tsuki no Naifu, assim como algumas mais "pra cima" como Waltz, Sakana e Hachimtsu. Além de belas e marcantes em todos os sentidos, elas possuem letras realmente bonitas e adicionam muito à experiência enquanto se assiste ao anime.
Basicamente, a premissa inicial de Hachikuro é essa: Yuuta Takemoto é estudante numa escola de arte e mora num apartamento junto com dois amigos, Takumi Mayama e Shinobu Morita. Certo dia, Takemoto e Morita conhecem a adorável garota-prodígio nas artes, Hagumi Hanamoto, e ambos se apaixonam Com a parte técnica devidamente comentada, é hora de partir para o mais legal de Honey and Clover: sua história. Aos poucos somos apresentados a outros personagens como Ayumi Yamada, que também faz parte do grupo, e Shuuji Hanamoto, tio da Hagu-chan, e a história vai ficando cada vez mais envolvente e engraçada. Isso sem mencionar um dos personagens mais carismáticos e engraçados a dar as caras em animes nos últimos tempos: Morita Shinobu. O cara é completamente desleixado, faz tudo por dinheiro, completamente "zoador" e sempre tem uma postura meio louca perante tudo e todos. É só coloca-lo em cena que não é necessário fazer mais nada: as risadas já são mais que garantidas.

Hachimitsu tem como um de seus méritos um equilíbrio constante entre a comédia e o drama. Nos momentos de comédia, e olha que esses são muitos, ri-se bastante. Culpa de seus personagens que esbanjam carisma sem tornarem-se estereotipados. Mas nos momentos sérios, quem assiste acaba se identificando de alguma forma com algum dos personagens ou alguma das situações.

Apesar de sua premissa, considerada por muitos como boba, Hachikuro é conduzido de forma adulta sem desandar para o dramalhão. A partir daí, o anime já começa a somar pontos. Honey and Clover mostra de maneira não idealizada o amor, a responsabilidade de se tornar um adulto, a busca por si mesmo. Amar e, por mais que se tente, não ser correspondido, e a busca por si mesmo são alguns dos temas tratados no anime. Quem já passou por alguns destes problemas com certeza vai se sentir, ao menos, nostálgico enquanto assiste Hachikuro.

Tanto os personagens principais como os coadjuvantes marcam presença importante no progresso da história. Eles também possuem personalidades marcantes e suas histórias não ficam para trás. Basta olhar para o triângulo Yamada, Mayama e Rika que isso fica bem claro. Em alguns momentos, esse triangulo chega a ser mais bem trabalhado que até mesmo o composto por Hagumi, Takemoto e Morita.
Em Julho de 2006, foi lançado nos cinemas japoneses, um filme live-action da série, dirigido por Masahiro Takada, e contava a história da primeira série do anime.

Hachimitsu to Clover , o filme, consegue ter um lado absolutamente cativante para os fans, com uma magnífica caracterização das personagens, sem enveredar pelas pouco plausíveis características físicas das personagens do manga e da subsequente série de anime (características essas que de resto eram por si mesmas quase simbólicas), reunindo um cast bastante eficiente (encabeçado por Yû Aoi, uma recente estrela dos dorama que já provou ser uma das melhores atrizes de TV da mais recente geração de dorama).

Mas as qualidades contemplativas da história, que necessitam de tempo para amadurecer, quer a história quer as personagens, é muito difícil de captura num mero filme de 2 horas de duração. E isso é evidente quando as personagens perdem o seu lado mais profundo, limitando-se a 'correr' pelas acções da narrativa sem conseguirem captura muita do interesse que a história inicial continha, resumindo-se a maior parte das acções mais simbólicas em artifícios narrativos.

Isto não quer dizer de forma alguma que Hachimitsu to Clover é um filme a dispensar. A forma como Takada tenta 'emendar' a falta de tempo parece bastante inteligente, percebendo-se que aqui não existem grandes ambições (e por vezes isso nota-se no certo tom 'piroso' de algumas composições visuais) e a banda sonora da veterana Yoko Kanno poucas vezes evidência essas limitações, algo que poderia também ser ainda mais evitado se não se tivesse incluido umas pirosas canções emo cantadas em inglês de um (aparentemente desconhecido) James Wendt.

Decerto que este é um filme simultaneamente a não perder pelos fans da(s) série(s), que é pouco mais do um recap dos episódios da season 1, mas também é claramente uma excelente introdução para aqueles que ainda não conhecem este bastião do slice of life melancólico da actual anime.

No Japão, novela se chama dorama, e ele estreou no dia 08 de janeiro exibido toda terca na Fuji TV. Semana que vem provavelmente sera o ultimo capitulo l, com o cantor Ken Hirai cantando a cancao tema, Canvas.

Não é de espantar que agora dê à costa um dorama, tentando alongar as onda de culto e, infelizmente, estragar a festa que as sucessivas adaptações conseguiram manter. Honey and Clover (o dorama) é mais uma daquelas séries de TV que apenas causam desilusão aos fans, expectantes por um live action que conseguisse recriar, mesmo que parcialmente, a magia da história de um grupo de estudantes de arte a viverem os tempos mais decisivos das suas vidas.

Basta ver a primeira cena do primeiro episódio, um grande plano de uns Nike que nunca nenhum estudante de arte ousaria usar, para entender o que este H&C será: um mero veículo de product placement, com péssimas prestações de novos actores cast out of character, que parecem mais uma versão abandalhada de uma boys band do que estudantes de arte (alguns já consagrados neste tipo de séries de TV), talvez para aliciar os fans (masculinos e femininos) deste tipo de idols que tentam à força ser levados a sério e uma história retalhada de forma a tentar causar algumas emoções de pacotilha.

Fica a sobrar deste bando de atores incapazes de conseguir concretizar as personagens originais, as credíveis prestações de Harada Natsuki, Seto Asaka e Mukai Osamu (o trio amoroso Yamada, Rika e Mayama) e nada mais. Se tal não fosse suficiente a personagem central que une o bando, Hagumi, é interpretada de uma forma descabida (por Narumi Riko), parecendo mais uma fugida de um centro de desintoxicação que nunca viu um pincel à frente. Esperamos que a outra adaptação para dorama a estrear em Abril (made in Taiwan) seja melhor. O problema da producao na tv, foi a escolha do ator Ikuta Toma para o papel de Takemoto. No dorama anterior que ele fez na mesma Fuji TV, mesmo dia e horário, ele fez o mesmo tipo de papel, a figura do anti-herói, aquele que nao se da bem ou aquele que perde por segundos, as oportunidades decisivas para mudar sua vida para melhor. A diferença que nessa historia o anti-heroi eh o protagonista, mas parece que a producao nao quis arriscar , criou-se uma familiaridade meio
forçada. Outro ponto negativo eh o excesso de flash-backs utilizados. O importante que a excencia da historia foi preservado, e lembremos que o publico alvo para uma tv aberta no horário nobre atinge toda a familia, foi bem adaptado temas recorrentes que a principio podem ser chavoes ou clichês, mas mesmo assim, sao universais na vida do ser humano: o estagiário que se apaixona pela sua patroa, uma mulher mais velha; o estudante tímido e inseguro que ainda nao sabe o que fazer da vida e medo de se declarar para sua amada; a garota mais querida da faculdade mas que sente uma paixão nao correspondida; o carinha que eh um gênio super-dotado mas continua na faculdade sem concluir os estudos; a garota que nao conhece a cidade grande; o filho que ama o pai de criacao mas tem vergonha de dizer.

A grande verdade eh que a cada adaptação para um veiculo, os fãs se tornam mais exigentes e quase sempre acharão que o sucessor eh inferior. Eu, particularmente, adorei o anime. Gosto do filme. A novela, como viram não eh que não goste, mas eh impossível não ficar comparando. Mesmo assim, assisto toda terca me emociono e choro, rs (piegas eu sei hehe) mesmo tendo visto antes. Mas essa historia também parece aquele poema Quadrilha do Drumond, que diz fulano ama sicrano, e assim vai... e as situações são tão universais que podem ocorrer em Paris, São Paulo, como aqui em Tokyo.
Acima, uma imagem do anime e foto do elenco do dorama.
Abaixo, o elenco da novela aqui no Japão, o clip do começo da historia feita

* Narumi Riko como Hanamoto Hagumi
* Ikuta Toma como Takemoto Yuta
* Harada Natsuki como Yamada Ayumi
* Mukai Osamu como Mayama Takumi
* Narimiya Hiroki como Morita Shinobu
* Takizawa Saori como Teshigawara Miwako
* Kimura Yuichi como Lohmeyer-senpai
* Matsushige Yutaka como professor Shoda
* Maekawa Yasuyuki como Teranobori Yasuhiko
* Kashiwabara Takashi como Nomiya Takumi
* Izumiya Shigeru como Yamada Daigoro
* Murakami Jun como Hanamoto Shuji
* Seto Asaka como Harada Rika














sexta-feira, 7 de março de 2008

Falta alguma coisa



Existe um grau de artificialismo misturado com pessimismo rondando em boa parte da sociedade atual. Não devemos generalizar, mas isso vai desde a mídia ate no discurso e comportamento dos jovens de hoje em dia.
Lembrando de uma conversa que tive ano passado, conversando com a psicóloga Okumura do hospital Komagome de Tokyo, ela afirma que boa parte dos jovens (japoneses) que saem hoje das faculdades não tem a mesma garra e vontade que seus pais, aliados a um consumismo inebriado sem perspectiva de futuro. Sendo coincidência ou não, mas tenho amigos japoneses que quase toda a noite saem em bares noturnos, em karaoke, em suas rodas de amigos. Segundo a palavra de um deles: "Querendo aproveitar o momento que a vida oferece não quero levar a vida sacrificada dos meus pais (na época da bolha economia, anos 80/90) fazendo muito zangyou (hora extra), saindo do trabalho e indo em bares com os mesmos colegas de trabalho a mando do chefe, chegando altas horas em casa e minha mãe ficando sozinha cuidando de mim e meu irmão"; uma frase de um jovem mas que reflete uma certa desesperança de jovens da classe media da grande Tokyo, alguns nem terminam a faculdade, dormem em mangakissas (uma espécie de internet-café, mas com revistas, hqs) por ser mais barato que hotéis, fazendo baitos (serviço temporário) aqui e ali mas não querendo também um serviço pesado, sujo ou perigoso. Vão levando a vida...
Não apenas os jovens japoneses, mas os brasileiros residentes aqui, vem com o intuito do dinheiro, trazendo família, crianças e adolescentes em idade escolar. Eles estudam? Uma parcela sim, em escolas japoneses, outras em escolas brasileiras, mas há um numero grande de adolescentes que ficam na rua, com idade insuficiente para trabalhar, e não estão matriculadas em nenhuma escola. Pais preocupados em fazer bastante horas extras para economizar dinheiro rápido e voltar ao pais natal. A verdade que a gente sabe quando se inicia um processo mas dificilmente sabemos como termina. E muitas das historias dos brasileiros que resolvem trabalhar em outro pais geralmente a historia começa assim: vem como imigrante pensando em ficar dois, três anos e depois retornar para abrir um negocio, comprar uma casa, carro. Mas dificilmente termina assim, pois o plano inicial de ficar apenas três anos não conta com os percalços que as circunstâncias que a vida impõe , e esses três, se tornam cinco, dez anos, muitos ate resolvem permanecer pelo resto da vida fora do Brasil. Não demora e boa parte desses jovens sem estudos entram em gangs, aparecem em noticiário japonês dizendo que roubaram alguma loja, mataram um japonês, eh o brasileiro na midia.
Mas a imprensa também não colabora muito (lógico não generalizando, pois existem jornalistas éticos), indo sempre onde o mercado e a opinião de mercado impõe. Se for feita uma pesquisa de opinião perguntando qual a opinião de uma pessoa sobre a imprensa, se ela eh isenta, se você acredita em tudo que a imprensa escreve, muitos (e isso eh mundial, não se trata apenas de um pais) responderão com certeza que desacreditam da imprensa. O japonês carrega um nacionalismo exagerado, haja o fato de recentes filmes de guerras que os japoneses participarem ocultarem os latrocinios e violências sexuais que os soldados cometeram contra as mulheres chinesas, coreanas. Se um japonês comete algum delito contra um brasileiro, isso não eh noticiado pela imprensa japonesa, não com o devido destaque que eh dado para um assalto que um brasileiro cometeu. Por outro lado já ouvi que os jornais e revistas brasileiras não informam direito. Um exemplo, um jornalista do Tudo Bem (do grupo JBC) foi fazer uma matéria em uma empreiteira de uma festa que ocorreu ano passado sobre o arraial na província de Tochigi, cidade Oyama. Foi entrevistado um representante da empreiteira, mas no jornal apareceu como sacho (presidente) da empreiteira. Aqui não vai nenhum juízo de valor do erro em si, mas do amadorismo que permea boa parte da midia.
A grande midia brasileira parece correr contra acorrente, ou melhor em apenas uma corrente. Hoje em dia, se você pega um Estado de São Paulo, O Globo, Veja, Época, Folha de São Paulo não da para dizer em que que o conteúdo editorial se difere uma da outra. Parecem todos usar o mesmo discurso pessimista, atacar por atacar, usando o seu poder de formulador de opinião, atacando e destruindo reputacoes que grandes profissionais construíram: a crediblidade. Alguns, como a Veja distorcem informações afomentando ate o preconceito. Não eh de hoje que a maior revista de circulação do Brasil se caracteriza pelo anti-jornalismo. Para quem esta interessado, o jornalista Luis Nassif esta publicando em seu blog, uma serie de reportagens sobre o modo Veja de jornalismo e suas consequencias. Quem estiver interessado, clique aqui A primeira vez que isso me chamou atenção, foi a capa quando o cantor Cazuza se revelou portador do vírus HIV. Manchete de capa: "Cazuza, agonia em praça publica", isso numa época que falar de AIDS, ainda era algo temeroso, cheio de preconceitos, ainda se falava de grupos de risco, que apenas homossexuais, usuários de drogas e hemofílicos eram as ameaças e que podiam pegar o vírus. Cazuza, que alem de homossexual já utilizou varias drogas, apareceu na capa da revista pela primeira causando um terrorismo e aumentando o preconceito contra os portadores do vírus. De tempos em tempos a revista foi se especializando com matérias desse tipo, e algum tempo depois, mais precisamente na eleição do presidente Lula, passou a ser o carro-chefe de ataques que toda a mídia passou a seguir atrás. A Veja começou a pautar as edicoes dos grandes jornais, noticiário na tv, e revistas concorrentes. Se me perguntarem se não houve mensalao, se não houve corrupção no Lula, vou dizer que houve. Mas o ponto que levanto eh o discursso único que aparece, o pessimismo exagerado, o denuncismo por denuncismo. Não estou de forma nenhuma dizendo que nao existem profissionais de ética e responsabilidade que fazem sua auto-critica, o pensar da sua profissao: Kennedy Alencar(politica), Luis Nassif(economia), Ricardo Feltrin (editor-chefe da Folha Online e fala de celebridades no programa Ooops), Juca Kfouri(esportes), Erika Palomino(moda, diversidade), sao alguns profissionais, que cobrem areas completamente diferentes dentro do jornalismo mas que ainda fazem a auto-critica, dentro e fora do seu meio.
Me preocupa esse destaque exagerado o foco em celebridades, saber quem se separou de quem, o reality show de maior audiência ser pauta obrigatória e manchete como se fosse acontecimento de extrema importância. Essa preocupação com audiência, numero de leitores, numero de acessos na internet, nivelando para baixo a programação em tvs, matérias jornalísticas. Esse jogo que o mercado impõe a aparência.
Aparentar bem , a imagem do produto (no caso a pessoa, o ser humano) eh mais importante que a pessoa em si. Esse artificialismo que combina com o pensamento da idéia de sempre se dar bem, de priorizar o interesse individual em cima do interesse coletivo.
Parece que esta faltando alguma coisa.
O que esta faltando eh olhar para o lado, não apenas o umbigo, ter pena de si mesmo. Ver que existem pessoas se mobilizando para o bem, para o coletivo. Aceitar a diferença, mas tratar como igual e lembrar que os direitos são iguais para todos. Em um mesmo espaço, o direitista e o esquerdita, o gay e o hetero, o branco e o negro, aceitar o conflito. Em uma democracia, eh fundamental a tolerância de ideias adversas. Exatamente isso que falta, tolerância para uma co-existência , uma integração. Os resultados positivos aparecem sim, passo a passo, devagar .







sábado, 1 de março de 2008

Mallu Magalhaes



Ela tem apenas 15 anos.
Musicalmente foi influenciada através de sua avo, ouvindo LPs na casa dela, aprendeu a gostar de Johnny Cash, Belle and Sebastian, Beatles, Bob Dylan. Começou a compor com doze anos, em geral suas letras são em inglês.
Quando fez 15 anos quis realizar dois desejos:
1) Cortou seu cabelo e doou para uma instituição de crianças com câncer;
2) Pediu dinheiro para os seus pais e avós, e foi num estúdio gravar musicas. Com o dinheiro, deu para gravar apenas quatro musicas, mas ficou realizada.
Em apenas uma semana de exibição em formato mp3 na internet, sua musica Tchubaruba teve mais de 250.000 acessos.
Embaixo, uma canção cantada em português no programa do Paulo Ribeiro no IG em seguida, a musica que estourou na internet.