A palavra taiko, ou wadaiko significa tambor em japonês. Fora do Japão, a palavra é usada frequentemente para referir-se a alguns dos vários tambores japoneses.É tocada com a mão ou com o uso de uma baqueta,. Exige do músico preparo físico para sustentar batidas homogêneas e um som satisfatório. Os brasileiros utilizam mais a palavra taiko, quer dizer, o grande tambor. Já os japoneses preferem utilizar waidako. Esse caractere acrescido significa o ¨ser japonês¨.
O uso desses tambores já é antigo na cultura japonesa, presente na história da música pelo menos uns 1.500 anos atrás. No começo era utilizado em eventos religiosos, como budistas ou xintoísta. Com o passar do tempo passou a ser utilizado em tropas de guerra na época do Japão feudal. Eram frequentemente usados para motivar as tropas, para ajudar a marcar o passo na marcha e para anunciar comandos e anúncios marciais.
A inserção do taiko na música é um fenômeno recente, mais precisamente no século 20, nos anos 50, com o jazz.
Roberto Maxwell tem um vasto currículo: formado em geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro,em cinema na Universidade Estácio de Sá, estudou ciências sociais aqui no Japão na Universidade de Shizuoka, foi professor de escola pública, éjornalista, produtor, diretor, documentarista, apresentador de rádio (possui um programa na radio NHK), tradutor. Possui o blog programa no Japão , gosta de fotografias, um eterno incentivador da boa música independente. Apesar dessas várias facetas, ao invés de ser chamado de multi-mídia, prefere ser chamado profissional das mídias A descoberta do jornalista Roberto Maxwell pelo waidako é mais recente: a descoberta foi por causa de uma série de reportagens que fez sobre o taiko. Mas o interesse mesmo foi devido a uma apresentação de waidako no Festival Sanja, em Asakusa, Tokyo. Foi nesse evento que o interesse se intalou, e percebeu no instrumento valores do ser humano como juventude, força, alegria, humildade, trabalho coletivo.
Isso serviu de gancho para ele realizar a exposição de fotos e vídeo sobre waidako intitulado ¨Waidako, Japanese Heart¨, e vai até o dia 21 de agosto, amanhã , infelizmente.
A seguir, uma entrevista que ele me concedeu via e-mail abordando o waidako
1) Nome e profissão
Roberto Maxwell, profissão: caramba, que difícil... Eu faço tanta coisa hoje... Sou produtor, repórter, tradutor, apresentador e artista. Qual dessas é a minha profissão eu não sei. Huahauhau.
2) Como deseja ser chamado profissionalmente? Posso chamar o senhor de multi-mídia?
É interessante esse lance de multimídia. Em geral, rola um papo desses quando o cara faz várias atividades ao mesmo tempo. Mas, creio que é um sinal dos nossos tempos. Os mais jovens também procuram desenvolver seus talentos em diversas áreas distintas. Acho que, de algum modo, no meu caso, mais do que um multimídia eu acho que sou um profissional das mídias.
3) No programa de sua exposição o senhor diz que o Wadaiko - Japanese Heart nasceu de uma série de fotografias tirada para uma reportagem, mas que, a 1a vez que prestou atenção mesmo foi numa apresentação de wadaiko foi durante o Festival Sanja, em Asakusa. Entre essas duas épocas -o período da reportagem e o momento que assistiu o Festival Sanja- qual a diferença de sensação pela descoberta do wadaiko?
A diferença foi que, depois da descoberta, eu fui investigar o que era o wadaiko. Não de uma forma acadêmica mas, sim, buscando assistir as performances, parando para ouvir mais. Além disso, eu acho que meu interesse pela cultura japonesa mais tradicional foi se delineando. Eu sou muito conservador, mas no bom sentido da coisa. Gosto de conservar a história, a cultura. E acho que o wadaiko é uma prova de que podemos conservar sem sermos tão puristas. O wadaiko se adaptou ao mundo de hoje e, por isso, é tão admirado não só no Japão mas, também, fora dele. Eu acho que entre aquele Sanja há cerca de 4 anos e o momento atual houve um amadurecimento do meu olhar sobre a cultura japonesa. Cheguei até a praticar o taiko, por pouquíssimo tempo, para entender porque aquilo me emocionava tanto. Espero, um dia, conseguir retornar ao wadaiko e praticar com mais afinco.4) O waidako passou por diversas transformações ao longo de quase 1.500 anos. Começou a ser utilizado em eventos religiosos, no Japão feudal foi utilizado para motivar as tropas de guerra, mas só recentemente que ganhou realmente um cunho realmente musical através do jazz. E hoje no Brasil existem grupos que se apresentam. Como o senhor vê essa evolução?
Não sei se é uma evolução. É uma história, sem dúvida. O wadaiko se adaptou ao seu tempo. As pessoas não guerreiam mais dessa forma tão ritual, tampouco têm conexão forte com a religião aqui no Japão. Mas, o wadaiko está além disso tudo. É uma arte, um estilo de vida para os instrumentistas. Por isso, ele se adaptou ao seu tempo. O wadaiko ainda preserva, contudo, a força de que os guerreiros necessitavam e a espiritualidade para os que buscam a religião. Isso não mudou porque é algo que é necessário sempre, desde que o homem passou a ter consciência de si mesmo.
5) A música está presente na longa trajetória de sua carreira e o senhor é um eterno apoiador da boa música independente, seja aqui no Japão como no Brasil. Em que contexto e como se insere o waidako, um instrumento tradicional e ao mesmo tempo pop dentro da sua carreira?
No meu caso, há um tremendo interesse pela música e quanto mais verdadeira, mais me interessa. Já fui mais interessado em música, para te ser sincero. Hoje, acho que a música ocupa um espaço muito secundário na minha lista de interesses. No entanto, no wadaiko eu encontro mais que música. Encontro tudo aquilo que eu citei antes de força, de espiritualidade, não necessariamente religiosa, mas de uma busca interna, de encontro consigo mesmo. Acho que isso me atraiu para o wadaiko.
6a)Falando em pop a batida e o gingado do waidako me lembra também a baianidade, grupos de axé, como o Olodum.
Pois é, há um importante laço entre os tambores do mundo todo que é o ritmo. Mas, conheço pouco profundamente o Olodum, apesar de ter interesse. Eles estiveram no Japão tocando com o Kodo e eu lamento ter perdido isso.
6b)O waidako, sendo algo tradicional e pop ao mesmo tempo, é algo característico na atual cultura do japonês de grande cidade como Tokyo. O senhor acha que os japoneses de grandes cidades como Tokyo, Osaka, Yokohama e Nagoya estão cada vez mais se ocidentalizando, se distanciando do japonês de Hokaido ou Aomori, ou isso faz parte do processo de transformação e globalização que vivemos?
Acho que a gente está enxergando as coisas melhor nos dias de hoje. No fundo, havia uma utopia de que o japonês de Hokkaido ou Aomori fosse o mesmo japonês de Tóquio ou Okinawa. O ser japonês é uma utopia, do mesmo modo que o ser brasileiro o é. Eu não acredito em identidades nacionais. Acho que existem outros meios muito mais fortes de se criar identidade. O local pode ser um deles, o tempo é o mais forte de todos. Então, acho que esse lance do distanciamento sempre existiu mas a gente o aceita melhor nos dias de hoje.
7) A exposição vai até o dia 21 de agosto. Tem um motivo especial para essa data? Tem algo haver com o Earth Celebretion, que em 2011 também vai até o dia 21 de agosto?
Foi uma infeliz coincidência porque, de verdade, eu queria estar no Earth Celebration. Mas, fiquei desnorteado com o lance do terremoto e muito receoso de gastar dinheiro. Então, acabei não me programando para ir.
8) Por fim qual ou quais os próximos projetos do senhor?
Estou em processo de produção de dois documentários. Um deles vai falar sobre a minha história com o Japão. O outro é sobre dois personagens que eu admiro muito. Mas, a coisa está devagar, nem sei se vai mesmo sair. Além disso, estou começando um novo projeto fotográfico. Mas, tudo ainda está bem no início. Então, vou deixar as coisas acontecerem antes de falar mais sobre elas.
Queria agradecer pelo senhor Maxwell Roberto ter fornecido um espaço de seu tempo e gostaria colocasse seus meios de contato.
宮城 良秀
Daniel Miyagi
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. Como havia dito, infelizmente a exposição Waidako- Japanese Heart vai até amanhã.O endereço é Tokyo Heritage Hostel , Tokyo-to, Taito-ku Shitaya 2-3-21.
Telefone: 03-6458-1686
A entrada é FRANCA em gente, então quem puder não perca!
Daniel Miyagi

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