Segunda-feira, Novembro 07, 2011

O momento conservador da tv brasileira Parte2

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Pedi a opinião de alguns blogueiros  que respeito e acompanho:


Hugo Bessa, do Apanhado Geral::
"É clara a onda moralista que a TV vive hoje, a começar pela classificação indicativa. É o governo fazendo aquilo que cabe ao telespectador: escolher o que assitir. Com a classificação, há uma limitação criativa que é extremamente prejudicial aos produtos televisivos, principalmente a teledramaturgia. O caso mais gritante pra mim foi a edição da abertura de Mulheres de Areia. Um video que em 1993 foi exibido normalmente às 18h, sem ofender ninguém. Já o caso do Rafinha Bastos mostra o exagero do patrulhamento. A piada foi infeliz, mas não motivo para a proporção que o caso tomou. O público assiste a tudo meio quieto, como se concordasse com essa onda que invade a nossa TV. O telespectador brasileiro é meio moralista, sim, tanto que muitos temas são um pouco tabu na teledramaturgia. Mas ao fazer silêncio, o público abre mão do seu direito mais precioso: o de escolha"
*Hugo Bessa, editor do blog  Apanhado Geral  , segundo sua apresentação, ele é um jornalista apaixonado por televisão, e principalmente por novelas.






 Fabio Maksymczuk do FabioTV
"Na realidade, a sociedade brasileira vive um momento de transformação. O catolicismo perde força e a doutrina das Igrejas neopentecostais ganha espaço. Grande parte dos  evangélicos defende valores mais tradicionais e conservadores. Por isso mesmo, os diretores da TV aberta percebem o movimento que modifica a estrutura social. Além disso, a Rede Record também conquistou força na guerra de audiência e “demoniza” a Rede Globo. As produções da emissora da Família Marinho avançam e recuam, diante da repercussão, na abordagem de assuntos delicados.

A sociedade brasileira ganha uma coloração “norte-americana”. A hipocrisia avança. A repercussão da piada de Rafinha Bastos é sinal máximo desta tendência. As redes sociais potencializaram o fenômeno. As eleições presidenciais de 2010 também apresentaram o mesmo indício no debate sobre a legalização do aborto entre Dilma e Serra."
 "Fabio Maksymczuk Brito é jornalista graduado em Relações Públicas pela USP, com o blog Fabio TV, integrao UOL Televisão Blogs e Blogs Legais Convidado do UOL , além de ser colunista do Portal Impensa






Nelson Sheep, do Superpride

"Antes de ser blogueiro gay sou um profissional de TV, formado pela Universidade Anhembi Morumbi, portanto, com alguma propriedade sobre o tema. Apesar de ser a favor da causa gay, tenho ciência de que certas liberdades são impraticáveis na televisão, pelo menos por hora. Por mais que tenhamos conquistado espaço sempre há de existir uma D. Maria que ficaria chocada ao ver dois homens se beijando na novela das 19h, ou mesmo na das 21h.
Infelizmente nós gays reclamamos muito. A TV Globo, por exemplo, está no caminho certo!
Mais do que ninguém ela goza do profundo conhecimento do público que a assiste. Por esse motivo leva ao ar uma programação campeã de audiência. Não se pode, nem se deve, mudar as coisas radicalmente da noite para o dia, porque o choque seria muito grande. A TV Globo faz aos poucos, como tudo em sua programação.
Nunca antes na história da TV brasileira houve uma inserção tão grande de personagens homossexuais, seja na novela, seja num humorístico. Isso tudo é um laboratório louvável que devemos levar em conta. Quando a hora chegar a Globo porá no ar algo mais profundo, mais íntimo.
O Brasil é um país de 190 milhões de habitantes, fortemente influenciado pelas religiões cristãs e que tem um abismo cultural imenso. Ao mesmo tempo em que se escreve um capítulo de novela para um idealista, militante gay, simpatizante, temos a outra ponta, com pessoas que emergem de uma classe social que, até então, era privada de educação, aparelhamento público digno, que só tinham tempo de trabalhar para sobreviver a miséria. Um povo que passa fome vai se preocupar com a inclusão gay na TV?
Existem outras tantas questões humanas a serem abordadas na televisão, a causa gay é uma delas. Talvez a menos importante. Mas o caminho é esse...
Temos a grata oportunidade de contar com a juventude que estamos formando agora. Tenho pra mim que a geração mais velha está perdida, justamente por esses motivos que mencionei acima. É fato que os gays são mais aceitos entre os mais jovens. Educação e conhecimento são passados de geração a geração, portanto, temos uma forte luz no final do túnel e a certeza de que os que estão por vir – filhos de nossos filhos - garantiram aos gays do futuro um Brasil melhor pra se viver. Quem viver verá!"
* Nelson Sheep, é Bacharel em Comunicação Social com ênfase em Radio e TV,  pela Universidade Anhembi Morumbi, é responsável pelo blog gay Superpride


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