"Nós já fomos mais inteligentes". Será?


“Ou os problemas brasileiros estão todos resolvidos ou nós nos tornamos perfeitos idiotas. Por que não é possível que dois assuntos tão fúteis possam chamar a atenção de um país inteiro. Primeiro um programa de televisão em que se discute um estupro, que por si só já é um absurdo, negado pelos dois protagonistas. Segundo, uma pessoa que ninguém conhece vira uma celebridade da mídia somente por que o nome apareceu milhões de vezes na internet. Luiza já voltou do Canadá e nós já fomos mais inteligentes”. Carlos Nascimento, Jornalista e Âncora do Jornal do SBT.
>O que o jornalista Carlos Nascimento falou no programa que apresenta prova que, hoje em dia, quem antigamente ficava calado, fala pelos cotovelos. Na verdade, é isso que incomoda. Os autodenominados "formadores de opinião" não mais falam sozinhos. A massa ganhou voz, para o bem e para o mal. Se uma emissora veicula cenas de um suposto estupro na sua grade de programação, há algo de muito errado com o que está a fazer com a sua concessão pública. Televisão não é um espaço para propagar toda sorte de impropérios. Desse modo, é mais do que legítimo que a população dê atenção ao evento e sobre ele debruce suas atenções. Por outro lado, a extrema atenção dada a uma pessoa que está aqui ou alhures, pelo simples fato de estar aqui ou alhures, é algo inexplicável, para o qual não se vê justificativa plausível. Na verdade, nunca fomos inteligentes neste sentido que o Carlos Nascimento fala. O povo nunca foi sequer parecido com a elite e vice e versa, sendo que esta última por toda a vida quis distância de tudo que rescendesse a popular, já que sempre viveu sonhando com um Brasil que na verdade fosse Bélgica. O problema deste sonho é que sempre houve uma enorme (e silenciosa) Índia, bem ali ao lado, esquecida pelos habitantes do “primeiro mundo” em sua versão brasileira.
O esquecimento cobra sua fatura hoje. Os mais esclarecidos da massa, que agora ganharam voz, denunciam a elite e os menos intelectualizados, também agraciados com o direito à fala, a fazem corar com suas peripécias. E Carlos Nascimento foi um dos veículos de transmissão do ódio que os que se sentem donos de tudo têm pelas mudanças que estão a ocorrer.
"Estupro no Big Brother Brasil", "Menos a Luiza está no Canadá", etc., tudo isso é parte do enorme monstro engendrado pelo egoísmo dos nossos ricos. Parece que o Frankenstein está fora de controle.