Mary Tyler Moore e sua Beth de Gente como a Gente

CINEMA 06 CULTURA / ENTRETENIMENTO 17 SERIADO DE TV 03 TV 10

Os portais brasileiros deram deram pouco destaque a morte da atriz Mary Tyler Moore. Olhei o UOL iG, G1 , nenhum deles noticiava na capa.  Ja os jornais O Globo, Estadao e Folha, pelo menos nos seus cadernos de cultura deram uma enfase maior.
Nos Estados Unidos ela foi simbolo do movimento feminista, uma das maiores atrizes dos anos 60 e 70 com os seriados/sitcom "The Dick Van Dyke Show'' e  "The Mary Tyler Moore Show".
 Este segundo, foi seu maior sucesso de carreira, tanto de critica como de publico que ficou no ar ate 1977 nas noites de sabado, tanto que ganhou 4 Emmys pelo seriado. Nessa serie, ela eh Mary Richards, mulher de meia-idade e que se muda para trabalhar na redação de um telejornal que enfrenta baixos índices de audiência.
Mesmo ela nao querendo, ela se tornou um simbolo feminista pela serie, que abordava entre outros assuntos, igualdade salarial e metodos anticoncepcionais, coisa nao muito comum naquela epoca; mulheres pensarem por conta propria sem a dependencia masculina e ser protagonista de um seriado.
Desde os 33 anos lutava contra um diabetes e desde então, se dedicava a estimular a educação sobre a doença. "Uma atriz inovadora, produtora e defensora apaixonada da Fundação de Pesquisa do Diabetes Juvenil, Mary será lembrada como uma visionária valente que acendia o mundo com seu sorriso", disse em comunicado a agente da atriz, Mara Buxbaum





Mas eu faco parte do time do resto do mundo, que a conheceu assistindo o filme Gente como a Gente, primeiro filme de Robert Redford. O filme fala de toda transformcao e desestruturacao que passa a familia Jarret,, a partir da morte do fiho mais velho. Filho esse que era o preferido de Beth (Mary Tyler Morre)  ela nunca fez ou conseguiu esconder a predilecao pelo primogenito. Com a morte, Beht se torna seca e amargurada, ao mesmo tempo que tenta manter as aparencias de uma familia feliz.  Conrad (Timothy Hutton) se sentia culpado pela morte do irmao (ja que os dois estavam juntos no acidente e so ele sobreviveu) tentando ate o suicidio, tornando mais distante a relacao com a mae. E Calvin (Donald Sutherland), marido de Beth e pai dos meninos, tentava ser o elo entre eles mas nao conseguia pois tambem nao sabia lidar com a perda do filho mais velho.
Eu era adolescente ainda, quando vi o filme na Globo, dublado. E fiquei impactado. A incomunicabilidade permeava quase todo os personagens. Quem tentava ser esse elo de comunicacao foi o Dr Tyrone (Judd Hirsch) psiquiatra de Conrad. 
Eu era o adolescente sem causa na minha familia, tinha embates e brigas horriveis com meus pais querendo mostrar minha independencia e ao mesmo tempo querendo me mostrar e ser visto por eles.  Mas nao conseguia. Eh muito sofrido pra uma familia quando tem uma distancia enorme entre pais e filhos e isso se agrava quando ocorre uma tragedia avassaladora que nenhum membro sabe como lidar com isso. Tymoth Hutton ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante, embora ele tenha sido o protagonista. E Mary Tyler Moore concorreu ao Oscar de melhor atriz, e injustamente nao ganhou. Ela estava explendida na mae corroida pela dor da perda do filho querido e preferido ao mesmo tempo que nao sabe como lidar com o outro, que esta vivo. Conhecida pelas series de comedias que ela fez, mostrou toda sua veia dramatica, com um personagem pesado, sofrido, doloroso. Ate hoje, depois de decadas, ao lembrar do filme e ter visto algumas cenas no Youtube, me emociono com as cenas entre Conrad e Beth, cada um no seu sofrimento interior ao mesmo tempo estao pedindo por socorro, colo, carinho. 
As grandes tragedias familiares sao as que ficam marcadas nas grandes  historias da vida . Os grandes classicos gregos sao tragedias familiares, Nelson Rodrgues abordou bem a hipocrisia e feridas familiares. Vimos agora com Dois Irmaos, e me lembrei desse filme , Gente Como a Gente.
Mary Tyler Moore nao teve a vida facil, alem do diabetes, foi alcoolotra, e no mesmo ano que Gente Como a Gente ganhou o Oscar de melhor filme, direcao, roteiro adaptado (alem do ator coadjuvante) , a atriz perdeu seu unico filho, Richard , de 25 anos, por ter levado um tiro acidental. 

Abaixo, peguei do YouTube um compilado das cenas entre Conrad e Beth juntos mostrando toda a complexidade da relacao entre eles, ate o final com aquele gesto inesperado de Conrad com a mae. 





fontes : Folha de Sao Paulo, O Globo, Estado de Sao Paulo. Portal Terra e Adoro Cinema

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